Escola da Ponte quer combater "cultura sexista e violenta" a partir do ensino

José Pacheco defende que o Ministério da Educação deve empreender uma grande mudança ao modelo escolar que existe em Portugal, para com mais força combater a violência contra as mulheres, e levou o modelo da escola para o Brasil, onde colabora com mais de cem instituições.

Combater e eliminar a violência contra as mulheres passa também pela escola. É o que defende o pedagogo José Pacheco, fundador da Escola da Ponte em Santo Tirso, conhecida como a escola "mais democrática" do país.

Além de defender que o Ministério da Educação deve empreender uma grande mudança ao modelo escolar que existe em Portugal, para com mais força combater a violência contra as mulheres, José Pacheco levou o modelo da Escola da Ponte para o Brasil, onde colabora com mais de cem instituições através do Ministério brasileiro da Educação. Em terras de Vera Cruz, a revolução já se tem sentido, do recinto da escola para dentro de casa, e o pedagogo português dá conta de um caso de um pai que quis tirar a filha da escola porque as aulas estavam a mudá-la.

"Ele disse que a filha aprendia muito bem, mas que ele estava preocupado. Eu perguntei porquê, e ele respondeu: 'Sabe, desde que a minha filha veio para aqui, eu deixei de poder fazer o que eu fazia. Sabe como é, eu chego a casa cansado. Eu chegava e sentava-me na poltrona a ver televisão. Agora a minha filha vem logo ter comigo e diz que a mãe está na cozinha e não é minha criada, diz para eu a ir ajudar a pôr a mesa e a fazer o jantar.'"

José Pacheco não tem dúvidas de que este exemplo prova o papel central da escola na transformação de uma cultura sexista e violenta, e considera que não se deve separar a educação familiar da educação escolar. "Não nos espantemos se a violência contra a mulher continuar nos mesmos índices, porque a escola separada da família e separada do contexto social reproduz esse modelo." Nesse sentido, defende José Pacheco, é fundamental que a escola se altere enquanto instituição e organização.

"Há diretores de agrupamento que pensam que mudar a escola é passar de trimestre para semestre ou instalar mais computadores, mas estamos a cair no mesmo modelo que vai perpetuar a violência contra a mulher e outros fenómenos sociais, que a escola reproduz", acrescenta.

A Escola da Ponte é uma instituição pública criada há mais de 40 anos que assenta numa aprendizagem mais autónoma e democrática, livre de aulas, disciplinas e testes.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de