Escolas "preparadas" para receber refugiados contam com ajuda dos alunos

A guerra na Ucrânia começou há 13 dias e os primeiros deslocados na sequência do conflito armado já começaram a chegar ao país.

Os diretores dizem que os estabelecimentos de ensino estão preparados para receber crianças e jovens refugiados da guerra na Ucrânia e esperam contar com os seus alunos para ajudar a integrar quem vai chegar à escola.

"Estamos preparados para os receber, até porque as escolas já estão habituadas a receber alunos estrangeiros ao longo de todo o ano letivo", disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

A informação foi corroborada por Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE): "As escolas estão preparadas e vão receber todos os alunos de braços abertos, porque esta é também uma obrigação social e humana".

A guerra na Ucrânia começou há 13 dias e os primeiros deslocados na sequência do conflito armado já começaram a chegar ao país.

Questionado pela Lusa sobre a situação das crianças e jovens, o Ministério da Educação garantiu que terão um lugar nas escolas portuguesas "tão rápido quanto possível" e com todos os direitos que são reconhecidos a todas as outras crianças.

A tutela assegurou que os processos de equivalências de habilitações estrangeiras e a colocação dos alunos num determinado ano de escolaridade e oferta educativa serão simplificados.

Estes alunos terão direito a apoio social escolar e a aulas extra para que possam aprender português e assim vejam facilitada a aprendizagem de outras disciplinas e a sua integração. A missão ficará a cargo das escolas, que garantem estar preparadas ou a trabalhar para que tudo possa acontecer.

Segundo Filinto Lima, este modelo já se aplica com os estrangeiros que chegam ao país: "Há uma disciplina que sobressai logo, que é a Língua Portuguesa Não Materna. Primeiro temos de trabalhar a língua, porque não interessa ao aluno estar numa aula em que não percebe o que o professor diz".

Estes alunos deverão começar, numa fase inicial, por frequentar apenas as disciplinas que "a escola considere adequadas", num modelo de "integração progressiva no sistema educativo", explica o ME.

Para Filinto Lima, o sucesso desta operação depende do número de alunos que chegue a Portugal e que continua desconhecido. Mas também, acrescentou, na "articulação entre escolas, ministério e Alto Comissariado para as Migrações".

Manuel Pereira acrescentou a importância de o ministério poder responder aos pedidos feitos pelas escolas: "Vamos socorrer-nos dos nossos recursos, mas é possível que possamos vir a precisar de mais. Mas tem de ser analisado caso a caso, porque as escolas são diferentes, mas todas têm uma enorme boa vontade e querem ajudar".

Em Portugal existem cerca de oito mil estabelecimentos de ensino, desde o pré-escolar ao secundário, muitas tem alunos de origem ucraniana e russa que poderão ser essenciais na integração dos refugiados.

"É preciso que os alunos desses países, que já estão nas nossas escolas, possam ajudar a integrar e a receber os alunos, até por causa da facilidade de comunicação, por causa da língua. Mas nós sentimos que todos os alunos, independentemente da sua nacionalidade, terão interesse em colaborar na receção de novos alunos", afirmou Manuel Pereira.

"As escolas estão sensíveis à situação que se está a viver na Ucrânia e, mais do que isto tudo, estão preparadas para tentar dar as respostas possíveis neste momento", acrescentou Manuel Pereira, destacando a importância de, numa primeira fase, garantir a "integração dos refugiados e dar apoio psicológico".

Fora do contexto escolar, prevê-se o "acompanhamento por equipa multidisciplinar no centro de acolhimento, constituída por docentes/técnicos especializados, psicólogos, assistentes sociais, intérpretes, monitores, entre outros", acrescenta o Ministério da Educação.

A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, um ataque que foi condenado pela generalidade da comunidade internacional.

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