Espaço da Bienal de Cerveira transformado em centro de "arte da vacinação"

A escultura de um homem em gesso espreita à porta do Fórum Cultural de Vila Nova de Cerveira, a população que entra para ser vacinada contra a Covid-19.

A peça intitula-se "Em alerta", é do artista Paulo Hernâni e foi prémio aquisição da Bienal Internacional de Cerveira em 2001. É uma das muitas obras de arte que povoam o espaço e que tem animado a vacinação, que ali decorre desde fevereiro.

Utentes e profissionais de saúde destacam "o espaço acolhedor", bem diferente dos tradicionais em pavilhões gimnodesportivos, onde o ambiente do tipo hospitalar está bem presente. A enfermeira Carla Segadães, que faz parte da equipa que coordena a vacinação na casa-mãe das bienais, o Fórum Cultural de Cerveira, afirma que a arte surpreende principalmente os mais velhos, que pela primeira vez entraram naquele espaço.

"Uma senhora que se sentou na sala de espera sentiu a presença de um senhor vestido de branco atrás dela e comentou com a filha: 'Está um senhor por trás de nós sempre a olhar. Será que já foi vacinado?'. E só depois é que se apercebeu que era uma peça [de arte] e não uma pessoa real. Fartou-se de rir a comentar connosco", contou à TSF, considerando que a presença da arte pode ser apaziguadora na hora da vacinação.

Não foi o caso do utente Miguel Sousa, que confessou: "Este é um momento que não aprecio. Com arte ou sem arte, não aprecio, mas tem de ser. Tenho algum medo de agulhas." E para o enfermeiro Alberto Dias que, entretanto, recebeu Miguel numa das boxes de vacinação ornamentadas com quadros de vários artistas e usou de todos os argumentos para o acalmar, a vacinação também pode ser arte. "É uma arte de encantar as pessoas para terem uma vida melhor. Quando se faz uma vacinação, é para termos menos problemas no futuro", comentou.

À boleia da vacinação no Fórum Cultural de Cerveira, a enfermeira Isabel Bacelar, que também é artista e já expôs na Bienal, instalou no espaço uma exposição para alertar para a problemática das crianças em risco. "Sabia que toda a população de Cerveira ia passar aqui, porque a vacinação da Covid-19 toca a todos, era uma boa oportunidade de lembrar as pessoas que é importante estarmos atentos às crianças", referiu.

A vacinação decorre desde 19 de fevereiro e já por ali passaram alguns milhares de pessoas, incluindo o próprio diretor do certame, Cabral Pinto, que destaca a mais-valia da ação, que considerava impensável acontecer.

"Nunca me passou pela cabeça que este nosso espaço, onde desenvolvemos a nossa atividade artística, pudesse passar a ser um centro de vacinação, mas aderimos desde logo, porque o mais importante é a saúde", disse, considerando que a situação pode reverter "na captação de novos visitantes" para futuras bienais.

"A próxima edição está programada para 2022 e já com toda a gente vacinada. Isso para mim já é uma grande Bienal", comentou.

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