Especialistas admitem dispensa de máscara para vacinados, mas só em contextos específicos

Quais os próximos passos do desconfinamento? Proposta criada por especialistas de várias áreas servirá de base à estratégia do Governo para os próximos meses, num percurso "faseado e controlado" até à "vida normal".

Alguns especialistas defendem que as pessoas já vacinadas contra a Covid-19 podem vir a dispensar o uso de máscara em contextos muito específicos.

É o caso da pneumologista Raquel Duarte, uma das peritas a quem o Governo pediu que elaborasse uma proposta com novas regras para repensar a estratégia no combate à pandemia nos próximos meses, o mesmo grupo de especialistas que elaborou o plano de desconfinamento.

Para já, a máscara ainda é "uma arma fundamental", ressalva Raquel Duarte em declarações à TSF, mas o seu uso tem repensado no futuro, "à medida que vamos conseguindo progredir na vacinação, vamos diminuindo a incidência, vamos ganhando confiança, vamos percebendo que as coisas funcionam".

A especialista admite que numa "bolha" com pessoas vacinadas, e tendo em conta as idades, as doenças associadas e o contexto em que se encontram, "poderá haver situações muito particulares em que as pessoas podem estar mais à vontade, mas nunca em ambientes públicos, em eventos públicos ou em grandes aglomerações", aponta.

Raquel Duarte sublinha que também será preciso criar oportunidades e espaços para as pessoas poderem socializar de forma segura e controlada.

"As pessoas estão cansadas, é inevitável que tentem aumentar as interações sociais", nota. Por isso, "vai ser muito importante que a nível local sejam criadas situações em que as pessoas possam socializar, interagir, mas em segurança, com circuitos bem definidos, com o número de pessoas por metro quadrado assegurado".

É preciso criar condições específicas para assegurar a segurança em situações de âmbito cultural, artístico, desportivos e de lazer e consoante "os vários públicos alvo, quer em termos de idade e interesse", defende, e, sobretudo, e continuar a cumprir sempre as regras de proteção individuais.

"Nesta altura, queremos olhar para os próximos meses com esperança, e esperança baseada na estratégia que tem sido seguida até agora, com vacinação alargada e testagem massiva, que nos garante que não temos muitos casos a circular na comunidade, que permite a identificação precoce dos doentes, permite identificação pela saúde pública e a implementação das medidas no terreno que visam o corte da transmissão rápida."

Segundo o jornal Público, o grupo que integra a pneumologista Raquel Duarte, o matemático Óscar Felgueiras e especialistas de várias áreas, entregaram esta semana ao Governo o plano com recomendações para os próximos passos no desconfinamento.

Continua a ser preciso manter "um pilar que tem sido fundamental que é a adesão da população às medidas de proteção individual, nomeadamente a distância, a limitação do número das pessoas em ambientes fechados e a utilização de máscara", destaca a especialista.

"O plano baseia-se, mais uma vez, nesses pressupostos - isso tem que ser continuado - e permite um levantar medidas faseado, controlado, de forma a continuarmos a ir libertando as medidas." É "um percurso que tem como objetivo chegar a uma vida normal, mas faseado e com segurança, de forma a não termos necessidade de andar para a frente e para trás."

A proposta dos especialistas enviada ao Governo foi criada com base na velocidade da vacinação, capacidade de testagem e impacto para a saúde pública em termos de incidência, "mas também o impacto económico, mental e social de todas as medidas", revela Raquel Duarte.

Além da equipa multidisciplinar de peritos, foram ouvidos "uma série de especialistas, nacionais e internacionais, com o objetivo de auscultar as medidas que resultaram e aquelas que não resultaram". O objetivo é "aprender com os erros", quer os cometidos em Portugal, quer os registados noutros países.

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