Especialistas propõem "redução das medidas restritivas, mas com alertas"

Raquel Duarte pediu uma aposta na "autoavaliação do risco e autoteste", tornando os testes "acessíveis e gratuitos".

Ao fim de dois anos de "contacto com o vírus", Raquel Duarte, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, lembra que as estratégias de prevenção "não mudaram". A especialista propõe uma "redução das medidas restritivas", a pensar na saúde e na economia.

Na reunião do Infarmed, Raquel Duarte explicou que "o vírus não mudou" apesar das diferentes variantes, e pediu uma aposta na "autoavaliação do risco e autoteste", tornando os testes "acessíveis e gratuitos".

"Agora acrescentamos um sétimo pilar: a autogestão de risco", ou seja, "redução das medidas restritivas, mas com alertas", como a taxa de internamento e o nível do Rt.

A especialista sublinha que as medidas devem ser retiradas "tendo por base a precaução", com "medidas gerais que devem ser implementadas no dia-a-dia". A linha vermelha proposta pelos especialistas é 70 por cento de internamentos em UCI e um Rt superior a 1.

"É fundamental a vacinação, o arejamento dos espaços fechados, continuar a usar o certificado digital e a promoção da autoavaliação de risco", lembrou.

A especialista pede ainda que se "capacite a população sobre o que fazer no caso de um teste positivo". Ainda assim, há "ameaças", como a iniquidade no acesso à vacinação mundial, o que se pode traduzir no aparecimento de novas variantes.

As recomendações da equipa liderada por Raquel Duarte, mantêm-se como "as propostas da Direção-Geral da Saúde", ou seja, o controlo de fronteiras, o distanciamento e a atenção às populações mais vulneráveis.

"É importante que haja uma comunicação clara", tanto na necessidade de testagem, como nos riscos que as infeções podem levar ao Serviço Nacional de Saúde.

Sobre a sobrecarga dos serviços de saúde, Raquel Duarte lembra que "há um pequeno impacto nos internamentos", mas "é preciso que se assegurem formas de garantir a resposta de cuidados primários".

Nos eventos, Raquel Duarte sugere "circuitos bem definidos" e "só devem ser realizados os grandes eventos" que permitem o cumprimento das regras. Os convívios familiares devem ser limitados a dez pessoas, em caso de risco elevado de infeção.

"Os centros comerciais mantêm as recomendações, e devemos evitar viajar para locais de risco", sublinhou.

"Temos dois anos de contacto com o vírus, e as estratégias de prevenção não mudaram", lembra, explicando que a proposta prevê apostar na saúde, mas também "no bem-estar económico, social e psicológico".

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