"Espinha dorsal do jornalismo." Ciclo de debates alerta para problemas da liberdade de imprensa

Os debates são organizados pela Associação Portuguesa de Imprensa e vão acontecer nas cidades de Lisboa, Coimbra e Aveiro. O presidente da associação, João Palmeiro, fala à TSF sobre as preocupações ligadas ao setor da imprensa e defende que o Estado deve assumir no novo papel na regulação dos média.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se celebra esta terça-feira, a Associação Portuguesa de Imprensa lança um ciclo de debates para alertar para os problemas que enfrenta uma das bases da democracia. Lisboa, Coimbra e Aveiro são as cidades que vão acolher os debates durante este mês de maio. A literacia digital ou o financiamento dos média são dois dos temas em cima da mesa.

A liberdade de imprensa vai ser apenas o tema de início de um debate mais alargado. O presidente da Associação, João Palmeiro, refere que "a liberdade de imprensa é a espinha dorsal da atividade do jornalismo, é a espinha dorsal das empresas que divulgam conteúdos editados, sérios, seguros, e que estão fora desse mundo complexo, que é o mundo das notícias falsas e da desinformação".

Fenómenos que têm inundado os meios digitais e são concorrência aos jornais, rádios e televisões. Para o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, há um desequilíbrio que tem de ser corrigido. "Os grandes operadores mundiais operam em todo o lado e a aplicação das leis é feito a nível nacional."

O apelo vai, por isso, para que todos os países contribuam para regular o setor. A mesma resposta integrada é o que pede João Palmeiro para o jornalismo regional.

"O deserto de notícias já se está a apoderar de uma parte do território português através de autarquias que não têm nem nenhum jornal, nem nenhuma rádio, nem nenhum ponto de venda de jornais ou publicações periódicas no seu território", afirma.

Fazer com que as pessoas que vivam nessas regiões acedam aos jornais a preços mais baixos é uma das medidas apontadas por João Palmeiro. Para isso, é preciso que o Estado assuma um novo papel na regulação dos média, algo que para o presidente da associação tem sido maltratado.

"O último secretário de Estado que o Governo tinha era o secretário de Estado do Audiovisual e dos Média, que tinha, para tratar da questão do audiovisual e do cinema, uma instituição, o ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual), com umas dezenas de colaboradores e um orçamento que permite funcionar e apoiar a execução das políticas públicas. Para o lado dos média não havia nada, nem ninguém", lamenta.

Um vazio para o qual importa olhar, aponta João Palmeiro, e em que as pessoas assumem um nova função. De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, o Estado deve também apostar na formação dos cidadãos e na literacia digital, para que os consumidores de informação tenham a capacidade de interpretar o que aparece nas redes sociais.

"Os consumidores de informação, os cidadãos, têm que perceber que não são mais consumidores passivos. Têm um papel a desempenhar nesse consumo. E isso chama-se literacia e essa literacia também tem que ser, pelo menos parcialmente, promovida pelo Estado", defende João Palmeiro.

As conclusões dos debates vão ser depois incluídas num relatório, que será apresentado no dia 7 de junho, no Congresso Mundial dos Média, que se realiza em Cascais. Posteriormente, o documento será entregue ao Presidente da República, ao Parlamento e ao Governo para a imprensa tenha um novo rumo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de