Polícias estão a substituir motoristas. Sindicato denuncia esquadras encerradas

Até ao momento, mais de uma centena de elementos das forças de segurança participaram na operação resultante da greve dos motoristas, de acordo com o Ministério da Administração Interna.

A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) denunciou, esta quinta-feira, que várias esquadras da Polícia de Segurança Pública (PSP) estão a ser encerradas para que os agentes possam fazer o trabalho dos motoristas em greve.

"Algumas esquadras, em alguns períodos do dia, encerram por falta de efetivos", adiantou à TSF Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia. "Está a acontecer na zona Sul, mas também na zona Norte."

Ermesinde ou Alhandra são dois exemplos de esquadras da PSP que estão a ser fechadas durante parte do dia devido à falta de agentes da polícia, uma vez que estes estão a ser desviados para conduzirem camiões-cisterna, em resposta à greve dos motoristas de matérias perigosas.

"O efetivo está tão reduzido, tão limitado, que qualquer evento" que vá além da atividade diária regular "obriga a um esforço considerável", explicou o presidente da associação sindical dos polícias.

Além dos polícias que estão a conduzir camiões para abastecer os pontos de combustível, há também forças policiais a escoltar os motoristas que estão a cumprir os serviços mínimos e a garantir a segurança junto dos piquetes de greve. A situação está a levar com que muitos dos agentes estejam a cumprir horários excessivos.

Paulo Rodrigues afirma que "os polícias estão exaustos" e critica o facto de estes não estarem a ser remunerados pelo trabalho extra.

"Isto é sacrificante. Trabalhar 24 horas seguidas não é propriamente algo fácil, e ainda por cima estamos a trabalhar a custo zero", nota o líder sindical. "Por fazerem, durante a semana, mais de 70 horas [de trabalho], os polícias vão receber como se estivessem a trabalhar 36 horas."

"Começa a ser muito difícil e, neste ritmo, não sei até que ponto a polícia consegue manter os níveis de resposta em matéria de segurança", alerta Paulo Rodrigues. "Estamos numa situação de limite", conclui.

De acordo com o Ministério da Administração Interna (MAI), a GNR e a PSP asseguraram, entre segunda e quarta-feira, o transporte de combustível em 84 camiões-cisterna no âmbito da situação de alerta declarada pelo Governo devido à greve dos motoristas de matérias perigosas.

A operação envolveu até ao momento 106 elementos das forças de segurança, segundo o Executivo.

A situação de alerta - declarada na sequência da situação de crise energética - está em vigor entre as 23h59 do dia 9 de agosto e prolonga-se até às 23h59 de 21 de agosto.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem esta quinta-feira o quarto dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil parcial na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Portugal está em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que permitiu a constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias, com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

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