Esquerda une-se contra a gestão do PP em Madrid: "Não se preocupavam com os cidadãos"

A política fiscal foi a única divergência visível entre os candidatos da esquerda.

No único debate a seis antes das eleições da Comunidade de Madrid, no próximo dia 4 de Maio, Isabel Díaz Ayuso, presidente da região e candidata do PP foi o alvo de todas as críticas.

Foi um debate de sentido único com toda a esquerda unida contra a gestão da pandemia do Partido Popular na Comunidade de Madrid. A presidente da Comunidade e candidata às eleições do próximo 4 de maio, Isabel Díaz Ayuso, aceitou apenas participar num debate e os adversários tentaram encurralá-la desde o primeiro minuto.

"A senhora é a presidente da Comunidade de Madrid, permita-me que lhe faça uma pergunta. Não se ria. Quantos mortos houve na Comunidade de Madrid?", perguntou Pablo Iglésias. "Há alguma comunidade autónoma com dados piores que os de Madrid?", insistiu, lembrando que a região tem mais de 23.000 mortos.

"Madrid tem os números mais mortíferos da pandemia. O Governo chegou a acordo com muitas comunidades menos com Madrid. Porque vocês não se preocupavam com os cidadãos desta comunidade mas sim com fazer cair o Governo e por isso você está a fazer algo indecente num debate que é mentir sobre os dados", sublinhou.

A presidente encaixou o golpe e partiu para o ataque pessoal: "Ninguém se alegra com o que aconteceu aqui mas sou a única que esteve à frente da Comunidade de Madrid nos momentos mais difíceis e vocês além de insultar não fizeram nada. E o senhor Iglesias nem passou por um lar, nem veio a um hospital, nem tem empatia, nem é credível. O senhor é uma pantomina que vem a Madrid tentar salvar o seu projeto. O senhor é a coisa mais mesquinha da política espanhola".

Os três partidos de esquerda - o Partido Socialista, o Podemos e o Mais Madrid - evitaram o confronto direto, numa rara união de forças e centraram o discurso nas críticas à gestão da pandemia e as consequências económicas apesar da ausência de medidas restritivas na região. "A senhora é a presidente "nem-nem"", acusou Mónica Garcia, médica e candidata do Mais Madrid. "Sacrificou a saúde dos madrilenos a favor da economia e, no final, não tivemos nem saúde nem o milagre económico que tanto prometeu".

"A senhora diz que os números se comparam de forma mesquinha. Não, os números comparam-se como são. Realmente dramáticos. O divórcio entre a sua política e a realidade do que vivemos nos hospitais, nos centros de saúde e nos bairros é o que me faz ter mais ímpeto para que a senhora não volte", sublinhou a candidata do Mais Madrid.

Coligação de esquerda

Perante os sucessivos ataques, e consciente de que não é especialmente hábil nos debates, Díaz Ayuso adotou uma posição defensiva e evitou entrar em mais discussões do que as necessárias. Quando o fez, recuperou o discurso que tem usado desde o início

da campanha: fazer das eleições madrilenas um referendo ao governo nacional. "Os senhores, com o Governo de Sánchez, estão a destruir Espanha e agora querem destruir Madrid. Madrid é uma peça-chave para eles. Por isso a decisão dia 4 de maio é entre comunismo e liberdade", disse.

Se dúvidas houvesse quanto à possível coligação da esquerda, desapareceram quando, quase no final do debate, o candidato socialista, Ángel Gabilondo, estendeu a mão aos dois partidos. "Quero dirigir-me à Mónica Garcia. Somamos e acredito num governo progressista, vamos governar. Quero dirigir-me também ao Unidas Podemos. Conto com o seu apoio. Pablo, temos 12 dias para ganhar as eleições", declarou.

A política fiscal foi a única divergência visível entre os candidatos da esquerda, com Gabilondo a insistir que "não é o momento de subir os impostos" e Pablo Iglésias a discrepar, dizendo que "os mais ricos têm de pagar proporcionalmente".

Ciudadanos ou Vox

Sócio do Governo estes dois anos, o Ciudadanos arrisca-se a ficar fora da assembleia de Madrid a julgar pelas últimas sondagens. Edmundo Bal tentou colocar-se à margem das discussões, rejeitou "entrar em bando próprios de uma Guerra Civil" e reclamou o seu "papel fundamental no centro político".

"Se o PP chegar a acordo com o Vox significa que Madrid irá de braço dado com uma senhora que é anti-União Europeia. Que os madrilenos escolham se querem um partido que promove a ciência ou alguém que não acredita nas vacinas, alguém que protege o meio ambiente ou alguém que nega o aquecimento global, alguém que tem um modelo de família, ou alguém que vai governar para todas as famílias", sublinhou Bal.

Por parte da extrema direita, e como já vem sendo habitual nos debates, Rocío Monasterio alheou-se da maioria das discussões para se centrar nas mensagens do seu partido: segurança, liberdade e os ataques à imigração ilegal.

A crispação foi visível quando, uma vez mais, Monasterio exibiu um cartaz contra os menores estrangeiros não acompanhados, a quem responsabiliza de inúmeros crimes na cidade de Madrid, com dados que já foram desmentidos por diversas vezes. O cartaz, que foi colocado na estação de metro de Sol, no centro de Madrid, e compara os fundos destinados aos menores imigrantes com os que se dedicam aos pensionistas, está a ser investigado pelo Ministério Público por um possível delito de ódio.

Todos, menos Díaz Ayuso, atacaram a candidata da extrema direita. Iglesias foi o mais contundente e acusou Monasterio de "defender posições nazis" e "incompatíveis com a democracia".

Os madrilenos vão às urnas daqui a menos de duas semanas. Para já, todas as sondagens dão a vitória ao PP.

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