Estado de contingência. Sindicatos temem regresso dos "tempos negros da troika" 

Novo estado de contingência para travar Covid-19 inicia-se dentro de horas. António Costa prometeu ouvir os parceiros sociais sobre mudanças nos locais de trabalho, mas sindicatos ainda não receberam nada.

A poucas horas do começo do estado de contingência por causa da pandemia, a partir da meia-noite de segunda para terça-feira, os parceiros sociais ainda não receberam qualquer proposta do Governo sobre as regras para mudar a organização do trabalho.

As mudanças vão ser obrigatórias nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e o primeiro-ministro disse que, antes de arrancarem, o Executivo iria ouvir sindicatos e associações patronais.

A líder da CGTP, Isabel Camarinha, explica à TSF que, até agora, a central sindical não recebeu qualquer informação e garante que, legalmente, sem esta consulta e um decreto-lei específico, há uma série de pontos previstos na Resolução do Conselho de Ministros, sobre a organização e tempos de trabalho, que não podem entrar em vigor por falta de regulamentação.

Uma das ideias do Governo é obrigar as empresas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto a aplicarem escalas rotativas e horários diferentes de entradas e saídas, bem como nas pausas laborais.

UGT estupefacta

O líder da UGT, Carlos Silva, confessa à TSF que está "estupefacto": "A horas de entrar em vigor a situação de contingência, nós, de forma estupefacta, ainda não recebemos nenhum pedido do Governo para nos pronunciarmos sobre as mudanças, o que nos leva a pensar que alguém tomou uma decisão atabalhoada que coloca em causa o compromisso do primeiro-ministro ou que querem pôr em causa o contributo dos parceiros sociais".

A central sindicato teme mesmo o regresso dos tempos da troika em que as leis eram impostas aos trabalhadores sem diálogo.

"Então os patrões vão impor isto unilateralmente? É uma total desregulação das relações laborais como aconteceu nos tempos negros da troika", alerta Carlos Silva. "As pessoas não podem ver alterado o seu horário, pondo em causa a tão desejada conciliação entre a vida familiar e profissional", sublinha.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de