Há mais 1102 pessoas em situação de sem-abrigo em Portugal

Aumento justifica-se com vários fatores, nomeadamente a pandemia, mas também um melhor diagnóstico do problema.

Portugal tem pelo menos 8209 pessoas em situação de sem-abrigo e em 2020 foram detetadas mais 1102 do que em 2019.

Dos 8209 sem-abrigo a viver em Portugal detetados no ano passado, mais de metade (58% - 4.786) estão na Área Metropolitana de Lisboa, e 1213 (15%) na região do Porto.

Quatro em cada cinco são homens e perto de 40% têm entre 45 e 64 anos e vivem na rua há menos de um ano.

A maioria são igualmente solteiros e na escola não passaram do Ensino básico.

O relatório anual da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA) e o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sublinham que o aumento de casos detetados se deve "fundamentalmente a uma melhoria no processo de diagnóstico em todo o país, o que permite no curto e médio prazo a adoção de estratégias para um acompanhamento mais personalizado e próximo de cada pessoa e, em simultâneo o desenho e adoção de estratégias de prevenção".

O gestor executivo da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo - entidade autora deste relatório - confirma que parte do aumento de casos detetados em 2020 pode ser explicada pela crise provocada pela pandemia.

Henrique Joaquim diz à TSF que "sabemos que há outros fatores", nomeadamente as consequências da pandemia que afetou pessoas que já estavam em situações vulneráveis, sendo preciso agora falar com as autoridades locais para perceber quais serão as melhores estratégias para cada realidade em concreto.

Sobre o facto de mais de 70% dos sem-abrigo viverem nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, o responsável explica que "este fenómeno é muito urbano e citadino e tende a exponenciar-se em cidades muito grandes", "em parte porque as pessoas tendem a ter a expectativa de que nas grandes cidades têm mais oportunidades e depois não as têm", mas também devido ao "grande anonimato em que as pessoas vivem com um enfraquecimento muito grande das relações sociais e pessoais", o que acaba por dificultar o combate a este fenómeno.

O Governo destaca, igualmente, que em 2020, de acordo com o mesmo levantamento, 485 pessoas deixaram a situação de sem-abrigo e obtiveram uma habitação permanente, numa subida de 39% face a 2019.

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