Estudo português revela os sintomas da Covid-19 nas crianças e adolescentes

A maioria dos menores que passaram pelo maior centro hospitalar de Lisboa tratou-se em casa, só se registou um caso grave e nenhum ficou com sequelas da doença.

Os sintomas das crianças e adolescentes com Covid-19 são muito semelhantes aos que se encontram nos adultos. A diferença é a gravidade que quase sempre é muito mais baixa. Esta é uma das conclusões de um estudo que será publicado esta semana na revista científica da Ordem dos Médicos (a Ata Médica Portuguesa) que estudou todos os menores com o novo coronavírus tratados até 18 de junho pelo Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (que inclui os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente).

Poucos internamentos

Das 103 crianças e adolescentes acompanhados, a esmagadora maioria, 80%, tiveram sintomas (20% não) e só dez chegaram ao ponto de precisar de internamento.

João Gonçalo Marques, médico e um dos dez autores do artigo, sublinha, em declarações à TSF, que destes dez internamentos alguns foram devido a um problema social por falta de condições para ficar em casa e outras crianças ficaram no hospital por causa de outras doenças e não pela Covid-19.

Existiu um caso grave que obrigou ao internamento nos cuidados intensivos, numa síndrome inflamatória multissistémica pediátrica, mas, depois do susto inicial, a evolução clínica foi positiva.

Nenhum dos doentes menores que passou por este centro hospitalar de Lisboa apresentou sequelas depois da Covid-19 e nenhum, nem o único caso grave, teve de ser sujeito a ventilação invasiva.

Os sintomas

Em relação aos sintomas, 43% das crianças e adolescentes com o novo coronavírus apresentavam febre e 42% um ou mais sintomas respiratórios (26% tosse; 10% um corrimento excessivo de muco nasal; 8% com dor de garganta; e 8% com dificuldades respiratórias).

Nota ainda para 21% com problemas gastrointestinais, sobretudo diarreias (13%) e vómitos (9%), e outros 21% com sintomas neurológicos, nomeadamente dores de cabeça (18%).

João Gonçalo Marques acrescenta que nos adolescentes surgiram ainda casos de perda de cheiro e sabor, mas numa forma menos evidente do que acontece nos adultos.

Em geral, os casos até agora analisados neste centro hospitalar revelam que o comportamento da Covid-19 nos mais novos é "semelhante ao de outras infeções respiratórias".

Os menores infetados apanharam quase sempre a doença com a família, algo natural tendo em conta que as escolas foram fechadas em março e só começam a reabrir, em massa, agora, sendo que tudo indica, como detalha o médico, que as crianças e adolescentes não transmitem mais a infeção do que os adultos.

Com quase todos os menores até agora tratados em casa, João Gonçalo Marques explica que o maior desafio para os hospitais poderá ser a partir do outono não apenas com o possível aumento de casos, mas também com a dúvida sobre se a febre e tosse se deve à Covid-19 ou a outras doenças comuns para a época.

Segundo a Direção-Geral da Saúde, a Covid-19 já atingiu em Portugal mais de duas mil crianças dos zero aos nove anos e mais de três mil jovens dos 10 aos 19 anos.

Sem mais nenhum caso mortal, em agosto registou-se a morte de uma bebé de quatro meses, uma criança que segundo a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, "nasceu com uma cardiopatia congénita muito grave" e morreu com uma septicemia por ter contraído uma infeção pelo novo coronavírus.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

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