Fábrica troca jantar de Natal por vales de compras no comércio tradicional de Bragança

A presidente da ACISB explica à TSF que a empresa selecionou 21 pequenos comércios.

Por causa da pandemia, a Faurécia, fábrica de componentes automóveis e a maior empresa empregadora do distrito de Bragança, não realizou o tradicional jantar de natal com os seus 783 colaboradores. Em vez disso, deu a cada funcionário um vale no valor de 20 euros para gastar em pequenas empresas do comércio tradicional de Bragança. A Associação comercial aplaude o gesto, num momento crítico para o pequeno comércio, e pede a outras que sigam o exemplo.

Já em 1984, Nair Pinto vendia frutas e legumes na praça de Bragança no centro da cidade. Há anos que o lugar virou parque de carros e ali, na praça Camões, é a única que tem um pequeno comércio de frescos, frutas e fumeiro. O negócio já não andava bom mas com a pandemia ficou pior. "Mau, tem sido muito mau. Temos um grupinho de amigos que nos vão ajudando, caso contrário fechávamos", lamenta à TSF.

Ao pequeno espaço da dona Nair calharam-lhe 37 vales de compras. "É uma ajuda boa. Pelo menos é para não estarmos parados. Os trabalhadores já começaram a vir com os vouchers. Já despachei 6 e ainda tenho mais 31. Alguns nem conheciam isto, mas gostaram e é bem possível que fiquem clientes".

Uma felicidade contida aparece nos olhos de Hélder Afonso. À entrada da loja dos produtos da terra e biológicos sobressaem os grelos, as rabas e as couves-galegas. Lá dentro, na loja da rua direita em pleno centro histórico, estão o mel e os frutos secos que se misturam com os vinhos e o pão. Agradece e louva a iniciativa da Faurécia.

"Havia muita gente que não conheciam a loja e foi uma boa maneira de promover os nossos produtos. Foi uma excelente ideia darem os vouchers para gastarem no comércio tradicional. Já aqui vieram três ou quatro e foram pessoas que nunca cá vinham".

A multinacional francesa pediu ajuda à Associação Comercial, Indústria e Serviços de Bragança (ACISB) para saber das empresas que mais necessidades estavam a passar. "Para lhes fornecermos uma listagem dos nossos associados e para depois distribuirmos os vouchers por eles", salienta Maria João Rodrigues.

A presidente da ACISB acrescenta que a empresa selecionou 21 pequenos comércios. " São supermercados pequeninos, pastelarias, também pequenas e o Intermarché que está incluído nos pequenos comércio e não nas grandes superfícies".

Cada uma destas pequenas lojas vai ter, em média, mais cerca de 700 euros em caixa de um total que ultrapassa os 16 mil em vouchers, dados aos 783 trabalhadores. Maria João Rodrigues agradece o gesto em nome de todos. " É uma lufada de ar fresco para estas pequenas empresas que estão a passar por momentos verdadeiramente dramáticos e mesmo o comércio tradicional todo".

Uma verdadeira prenda no sapatinho e um exemplo de solidariedade que a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Bragança gostava de ver replicado em outras empresas da região mas que até ao momento ainda não tem seguidores.

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