Falhas nos dados da DGS são "de lamentar" e comprometem "tomadas de decisão"

A Associação dos Médicos de Saúde Pública quer ver a situação de "fragilidades" na recolha de dados diários resolvida o mais brevemente possível.

Desde a última semana o Governo tem alertado para o facto de haver um problema com a notificação de novos casos, devido à inserção de um número não especificado, mas elevado, de novos casos, por parte de um laboratório privado que realizou rastreios. Os casos estão a ser analisados, para evitar duplicações, mas, desde sexta-feira, os dados discriminados dos municípios não são alterados, e poderão mesmo não voltar a ser incluídos no boletim epidemiológico da Direção-geral da Saúde.

É com perplexidade que Ricardo Mexia, da Associação dos Médicos de Saúde Pública, reage à dificuldade de gestão de plataformas digitais de tratamento de dados da pandemia. "Não quero acreditar que seja um problema de introdução de dados. Houve uma situação com um laboratório que não terá feito reporte dos diagnósticos que tinha feito; trata-se da situação de um operador, mas estamos a falar de haver, da parte da plataforma, a capacidade de identificar ou de reportar os novos casos em cada concelho. Julgo que não tem que ver com a introdução dos dados..."

Quanto às "fragilidades" das informações relativas aos municípios, Ricardo Mexia admite, em declarações à TSF, não saber qual é "exatamente o problema", mas diz ser "de lamentar" que, "ao fim de quatro meses, ainda estejamos nesta situação".

"É evidente que um sistema de informação não se monta de um dia para o outro, mas era bom que a informação que permite a tomada de decisão estivesse a chegar a quem tem de decidir de forma robusta e em tempo útil", assinala o clínico, que espera ver a situação resolvida, com a divulgação de "dados de melhor qualidade num horizonte de tempo muito pequeno".

Cordão sanitário na Grande Lisboa pode gerar "entropia muito grande"

Diante do aumento significativo de casos na área da Grande Lisboa, Ricardo Mexia tem dúvidas relativamente à aplicabilidade de um cordão sanitário, e salienta que há características da região que limitariam o sucesso da medida. "A Área Metropolitana de Lisboa é uma zona em que as pessoas tendencialmente residem num concelho e trabalham noutro, o que acaba por gerar uma entropia muito grande perante uma solução desse género."

"O cordão sanitário evita que haja disseminação para outras zonas, mas não resolve o problema dentro dessa área, por isso não é uma solução definitiva nem abrangente", explica o médico de saúde pública, que se posiciona: "Diria que para já não é por aí, mas pode vir eventualmente a ser uma solução em contextos muito próprios."

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