Falta de médicos pode ditar fecho da urgência obstetrícia do Hospital de Setúbal no fim de semana

A Ordem e o Sindicato Independente dos Médicos têm alertado para o problema, que pode repetir-se já este fim de semana. Pela escalas, não há médicos para garantir o funcionamento da urgência obstétrica no próximo domingo.

A urgência obstetrícia do Hospital de Setúbal pode voltar a fechar este fim de semana. O serviço já tinha estado fechado entre as 9h00 de quarta-feira e as 9h00 de quinta-feira, devido à falta de médicos.

O problema está a assumir dimensões alarmantes, de acordo com Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos. A situação da urgência do Hospital de Setúbal é "crónica" e mantém-se "há vários anos", tendo-se agravado "a cada dia mais". Hoje encontra-se "num ponto em que a manutenção das equipas é feita à conta de internos, que às vezes estão sozinhos ou com recurso a médicos externos, para poder manter o serviço aberto ao exterior", conta à TSF Alexandre Valentim Lourenço.

Durante esta semana, a urgência esteve fechada por um dia, e o responsável acredita que tal voltará a acontecer. "Temos informação de que, neste fim de semana, as equipas não estão asseguradas com três elementos. Podem fechar novamente, e espero que fechem se estiverem sem três elementos, porque depois pode acontecer um acidente e a responsabilidade vai recair no único ou nos dois médicos que se sujeitaram a trabalhar pela terceira vez na semana, em 24 horas, em condições que já não são próprias, para poder colmatar uma deficiência que a administração deveria ter colmatado atempadamente."

O conselho de administração do Hospital de Setúbal garante que as grávidas são encaminhadas para outros hospitais da região, mas Alexandre Valentim Lourenço afirma que isso não resolve o problema. Apesar do que o conselho da administração declara, nem sempre é possível, porque "os outros hospitais da região nem sempre têm capacidade de o fazer", aclara. O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos garante tratar-se de uma dificuldade que se afigura "com uma frequência quase semanal ou diária".

"No mês de agosto, os outros hospitais também estão sobrecarregados; conseguem fazer em situações pontuais, mas o conselho de administração não avisa adequadamente a população e as entidades, de modo a que todas se possam adaptar." Alexandre Valentim Lourenço afirma que "continuam a chegar ambulâncias, estando a urgência muitas vezes encerrada, com grávidas em trabalho de parto, que não podem ser assistidas no Hospital de Setúbal", pelo que está "certamente" em causa a saúde das gestantes e dos bebés.

O representante da Ordem dos Médicos explica que não é possível, com menos de três médicos, prover uma assistência "correta em gravidezes de médio risco ou em situações que em obstetrícia ocorrem e se complicam em meia dúzia de minutos".

O Hospital de Setúbal já abriu concursos para contratar mais médicos especialistas, mas não têm aparecido interessados, e as vagas permanecem vazias. De acordo com Alexandre Valentim Lourenço, as formas de contratação de especialistas para os hospitais do Estado não são suficientemente atrativas para fixar os especialistas que se formaram no Hospital de Setúbal, pelo que os profissionais de saúde se deslocam para outras instituições públicas ou privadas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de