Falta de médicos. "Poderá de facto ser necessário equacionar" fecho de maternidades

Nuno Clode, líder da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, reconhece validade aos argumentos apresentados por Diogo Ayres de Campos e elogia a intenção de tentar desde já evitar problemas no Natal.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF), Nuno Clode, admite que o encerramento de algumas maternidades é a forma mais rápida e eficaz de combater a falta de médicos. Esta é uma ideia que já tinha sido adiantada na entrevista TSF/JN desta semana pelo líder da Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos, Diogo Ayres de Campos.

"Temos, de facto, de considerar a possibilidade de encerrar algumas maternidades, por dois tipos de razões. Porque, em primeiro lugar, nós não conseguimos formar nem atrair médicos obstetras e ginecologistas em tempo útil para acudir a alguns problemas", admitiu Ayres de Campos na entrevista deste domingo. Na TSF, Nuno Clode partilha da opinião, até porque o líder da comissão de acompanhamento tem consigo "os números reais de profissionais de saúde que estão no terreno".

"Se ele diz isso, deverá ter as suas razões, mas deve aproximar-se muito da realidade, poderá ser de facto algo que seja necessário equacionar", assinala o líder da SPOMMF.

Poupar as cidades do interior é também "um pensamento muito correto, porque uma coisa é estarmos na Área Metropolitana de Lisboa em que há uma boa rede viária e que tem maternidades perto umas das outras. Outra coisa completamente diferente é falarmos de maternidades como, por exemplo, de Beja, Portalegre ou Bragança, em que a maternidade ao lado fica a uma ou duas horas [de distância]".

Nuno Clode alerta também que "algo se passa" na forma como as grávidas são informadas de quais as maternidades que estão - ou não - abertas: "Penso que, da parte da tutela, deveria haver algum esforço para que esta informação fosse transmitida de forma atempada e as senhoras se sentissem muito mais tranquilas do que estão."

Ainda assim, com agosto à porta e olhando para o que se passou em julho - "que não é muito diferente" - a situação "é gerível". "Não tivemos nenhum caos nem algo que se pareça", reforça.

Nestas declarações à TSF, Nuno Clode assinala também que "é de louvar" a intenção da comissão coordenada por Diogo Ayres de Campos de apresentar propostas até ao final de setembro para evitar a repetição de problemas no Natal.

"Acumulam-se muitas mais férias, todas as pessoas gostam de ter algumas férias no Natal, portanto é muito difícil gerir horas extraordinárias com esta realidade", o que cria "todo o interesse em tentar resolver isto".

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