Família de bombeira atropelada enquanto prestava auxílio na A5 pode não receber indemnização

Os seguros podem revelar-se difíceis de acionar uma vez que a bombeira estava fora de serviço quando prestou auxílio.

A família de Catarina Pedro, a bombeira de Carnaxide que foi atropelada na A5 quando neste fim de semana dava assistência a duas vítimas de um acidente, pode não receber indemnização do seguro de bombeiro porque não se encontrava de serviço.

A bombeira, há três anos nos voluntários de Carnaxide, era assalariada na corporação, e, com este vínculo profissional, tinha seguro de acidentes pessoais e seguro de trabalho, mas, de acordo com o Jornal de Notícias, estes seguros podem ser difíceis de acionar uma vez que a bombeira estava fora de serviço quando prestou auxílio.

O presidente da Liga dos Bombeiros portugueses admite que esta situação é revoltante porque os bombeiros estão sempre de serviço, mas as seguradoras não pensam desta forma e não cobrem este tipo de situações.

A Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais está, em conjunto com a Câmara de Oeiras, à procura de apoios à família da bombeira que deixou dois filhos menores.

Fernando Curto revela que, depois do funeral, vai reunir com a família para determinar em que moldes podem ser equacionadas ajudas em termos legais que substituam a indemnização do seguro. Em declarações à TSF, o responsável advoga que é necessária a revisão urgente das coberturas, para "que possa haver uma avaliação no sentido de os bombeiros, sejam eles voluntários ou profissionais, estando na sua folga e exercendo aquilo que é a sua atividade, que é salvar pessoas, poderem ter também uma cobertura que lhes garanta".

Esta possibilidade de Catarina Pedro ainda beneficiar da indemnização ou de ser acautelada em casos futuros está a ser estudada. O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais sublinha que os bombeiros não têm um interruptor para desligar a missão de ajudar quando estão de folga. "Os bombeiros têm seguro. O seguro tem que ver com a cobertura que é feita no âmbito da sua atividade profissional enquanto bombeiro voluntário ou profissional."

Catarina Pedro "atuou numa perspetiva de ajuda e de colaboração", o que constitui uma "situação um bocado dúbia e complicada" mas há legislação que está a ser avaliada, defende Fernando Curto.

A bombeira, de 31 anos, seguia no carro com os dois filhos, um de quatro anos e o mais novo, com 11 meses.

A morte de Catarina Pedro mereceu o lamento quer de Marcelo Rebelo de Sousa, quer do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Os dois manifestaram profunda consternação pela morte da bombeira, sublinhando que cumpriu a missão de ajudar, mesmo não estando de serviço.

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