Farmácias venderam 1300 autotestes para o VIH/SIDA nos primeiros três meses

Testes de autodiagnóstico começaram a ser vendidos em outubro e 40% das vendas aconteceu no distrito de Lisboa. Abraço considera que os números são positivos e provam que existia uma lacuna no mercado.

Nos primeiros três meses de venda, entre outubro e dezembro de 2019, as farmácias portuguesas dispensaram 1.288 autotestes para o VIH/SIDA, uma média de 430 testes por mês, num valor total superior a 30.000€.

Contactada pela TSF, a Associação Nacional das Farmácias (ANF) revela que a maior parte das vendas registou-se no distrito de Lisboa (40%), seguindo-se os distritos do Porto (16%) e de Setúbal (8%).

A associação Abraço, que presta apoio a pessoas infetadas e afetadas pelo VIH/SIDA, considera os números muito positivos. Mais de quatrocentos testes, em média, por mês é "um ótimo resultado e demonstra que havia aqui uma lacuna no mercado, que não estava a cobrir uma franja da população. Para nós, é ótimo haver mais formas de as pessoas fazerem o rastreio e de terem mais mecanismos para isso acontecer", sublinha Gonçalo Lobo, presidente da associação.

Sem necessitar de receita médica, os testes rápidos de rastreio permitem fazer o diagnostico de forma autónoma. Gonçalo Lobo considera que o anonimato é a principal vantagem dos novos testes porque, "mesmo nas farmácias, as pessoas eram questionadas com um breve questionário sobre o comportamento de risco e, neste caso, não. A pessoa vai à farmácia, compra, vai para casa, vai para o escritório ou faz no carro e tem logo o resultado."

Questionado sobre o preço de venda ao público recomendado do autoteste (24€), Gonçalo Lobo considera que o valor é razoável, tendo em conta que apenas uma empresa se mostrou interessada em comercializar o produto em Portugal.

O presidente da Abraço recorda, ainda assim, que o teste pode ser feito de forma gratuita em vários locais, como os centros de aconselhamento de deteção precoce da infeção VIH/SIDA (CAD), os centros de respostas integradas para comportamentos aditivos e dependências (CRI) e diversas organizações de base comunitária.

Gonçalo Lobo sublinha, no entanto que, além do número de autotestes vendidos, o mais importante é saber o número de resultados positivos e se essas situações estão a ser devidamente seguidas nos hospitais.

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