Fectrans defende demissão da administração da Infraestruturas de Portugal

Federação dos sindicatos acusa a administração da IP de "não ter em conta" a segurança ferroviária e de estar "fora de prazo".

A Fectrans - Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações considera que a administração da Infraestruturas de Portugal (IP) não tem condições para continuar no cargo e que, por isso, deve apresentar a demissão.

As críticas da federação surgem após o acidente entre um alfa pendular e uma viatura de manutenção em Soure, que resultou em duas vítimas mortais. A Fectrans acusa a IP de querer antecipar as conclusões do inquérito ao acidente, que está em curso, e de não ter qualquer preocupação em perceber o que se passou.

À TSF, o dirigente sindical José Manuel Oliveira explica que a IP procura antecipar essas conclusões "passando as responsabilidades para os trabalhadores que faleceram e, infelizmente, já não podem defender-se".

É com esta estratégia que, segundo José Manuel Oliveira, a Fectrans procura "omitir aquilo que também são as suas verdadeiras responsabilidades".

A Fectrans entende que, "sem por em causa qualquer responsabilidade do ponto de vista humano", o inquérito e o acidente devem ser encarados focalizando não apenas "aquilo que possa ser a causa, o que despoletou o acidente, mas todas as causas acessórias".

Entre estas causas está uma "que a própria administração reconhece" - tal como vários especialistas - que é "a falta de sistemas de recurso nos veículos da IP". Há uma recomendação neste sentido que a administração da IP reconhece que "não executou" e, por isso, "não tem em conta aquilo que é a segurança ferroviária".

Perante estes dados, José Manuel Oliveira diz que esta é "uma administração fora de prazo", pelo que "deve ser demitida".

Para a substituir deve entrar uma administração que trabalhe "numa perspetiva de retornar à ferrovia aquilo que é da ferrovia, concentrando no mesmo no mesmo setor aquilo que é a atividade comercial, de manutenção e infraestruturas".

A Fectrans entende que "neste momento, o acidente devia ser aproveitado para não repetir o erro humano, mas ir mais profundamente - como o ministro disse - procurar que, na sequência do inquérito, haja mais recomendações".

O descarrilamento do comboio alfa pendular, no concelho de Soure, provocou dois mortos, oito feridos graves e 36 feridos ligeiros.

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