Fim do estado de alerta devido à Covid-19? Decisão no "momento certo", mas país poderá ter de voltar atrás

O Governo decidiu não prolongar a situação de alerta no país devido à pandemia. Há quem diga que o executivo tomou a decisão no "tempo certo". Gustavo Tato Borges fala em passo pouco prudente, numa altura em que se aproxima o inverno.

O Governo foi sensato ao decidir acabar com o estado de alerta devido à Covid-19. A convicção é de Tiago Correia, médico do Instituto de higiene e medicina tropical, que considera que o executivo tomou a decisão no momento certo. "Este dia teria que chegar, mais cedo ou mais tarde", afirma o especialista em declarações à TSF, admitindo que a circulação do vírus vai aumentar.

"É óbvio que vai aumentar, mas vai aumentar de uma forma que não vamos ser capazes de monitorizar na medida em que os testes vão acabar", acrescenta, lembrando que o que está a acontecer relativamente a este vírus "é o que acontece com todos os outros vírus respiratórios com os quais lidamos todos os anos".

Para Tiago Correia, aquilo que era importante assegurar - que a população portuguesa ficasse protegida ou por vacinação ou por infeções prévias - está garantido. "E a verdade é que o SARS-Cov-2 deixou de ser um risco", afirma, reforçando que a decisão do Governo de não prolongar "uma situação abusiva do estado de alerta" vem em "bom tempo".

No entanto, o médico não descarta a eventual necessidade de o Governo ter de voltar atrás na decisão. "Não há qualquer dúvida se se verificar um agravamento do estado de saúde da população portuguesa, que esta medida será revertida", antevê, avaliando como sensata e prudente a decisão tomada pela tutela de Manuel Pizarro.

"Aquilo que me parece muito claro é que os decisores políticos foram sensatos, foram prudentes e, sobretudo, estão vigilantes", reitera. Por isso, "os portugueses podem ficar descansados", até porque os mais vulneráveis continuam a estar protegidos nos lares e nos serviços de saúde, locais onde o uso da máscara continua a ser obrigatório.

Menos otimista, Gustavo Tato Borges, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, afirma, em declarações à TSF, que a partir de agora abriu-se a caixa de pandora. "Tendo em conta que se aproxima o inverno, e que os casos já estão a aumentar, não me parece que seja prudente que o Governo tenha decidido levantar as poucas medidas que sustentavam alguma vigilância e controlo da situação epidemiológica".

O representante dos médicos de saúde pública diz que, a partir de agora, "vamos apenas conhecer a ponta do icebergue", tendo apenas conhecimento dos doentes graves que recorrem aos hospitais e dos óbitos.

O país deixará de ter "noção" qual é a letalidade e a gravidade verdadeira das novas variantes. "A única altura em que vamos parar, em que possivelmente vamos voltar atrás, é quando as urgências ficarem entupidas e os serviços de internamento passarem a estar cheios. Nessa alturta, vai ser tarde", vaticina.

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