Fim do isolamento com eleições: "caixa de Pandora" ou oportunidade para mudar?

O virologista Pedro Simas defende que Portugal já não tem razões para confinar pessoas e defende que o vírus deve circular, mas o médico Gustavo Tato Borges alerta para o perigo de se abrir uma "caixa de Pandora" ao permitir a suspensão de isolamentos.

Num momento em que o Governo ainda não recebeu o parecer da Procuradoria-Geral da República sobre o voto dos isolados nas legislativas de 30 de janeiro e já depois de a ministra da Administração Interna ter ouvido os partidos sobre as possíveis soluções, no Fórum TSF, o virologista Pedro Simas e o médico Gustavo Tato Borges defenderam que há condições para garantir a votação em segurança, mas têm visões diferentes sobre o confinamento, a sua necessidade e as consequências do mesmo.

Para Pedro Simas, "com 90% da população vacinada e praticamente todos os grupos de risco com terceiras doses", Portugal tem condições para que quem esteja infetado no dia 30 de janeiro possa ir votar, mas tem também condições para aliviar o controlo da doença.

"Eu não acho que seja necessário confinar as pessoas, ter todas estas restrições e todas estas testagens que só criam confusão", defendeu no Fórum TSF. O especialista sublinha que o país está já numa "situação que é endémica" e que os números de infeções, apesar de "altos, não estão muito além daquilo que seria esperado".

"Desde que as pessoas votem com máscara e com algum distanciamento e que os grupos de risco que vão votar usem máscara e tenham a terceira dose, é suficiente", garante o virologista, que não vê problemas em deixar o vírus "circular".

"Não há endemia sem o vírus circular, e o vírus a circular numa população que está protegida confere imunidade adicional e melhorada a essa população", sustenta.

Por outro lado, o vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Gustavo Tato Borges, defende uma opção mais cautelosa na organização das eleições legislativas.

Se em termos sanitários é possível controlar a forma como os infetados ou isolados irão votar, "provavelmente num horário exclusivo", a usar máscara e com "mais distanciamento", a suspensão do isolamento pode ser, por si só, uma "caixa de Pandora".

É acima de tudo "pela mensagem que isto transmite", explica Tato Borges, "de que o isolamento não é importante e pode ser quebrado por determinadas razões".

O médico sublinha mesmo que, mais do que argumentos médicos, é preciso olhar para o lado legal, porque "se o direito ao voto é um direito constitucionalmente previsto, existem outros, como o direito à manifestação", o que pode resultar em que "se houver uma manifestação política ou sindical e uma pessoa estiver em isolamento profilático, possa pedir para sair e tenha esse direito".

Neste caso, abre-se então a "caixa de Pandora de soluções e situações" que possam entrar em equação para permitir que saídas do isolamento profilático "dentro daquele período em que as pessoas se deviam manter em casa para proteger a população".

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