"Final feliz" no lar de Marvila

Não foi possível travar o encerramento, mas todos os residentes têm hoje um novo teto. E também se conseguiu salvar os postos de trabalho.

Tal como previsto, o lar que funcionava na Mansão de Santa Maria de Marvila, em Lisboa, fechou no final de setembro. Cento e quarenta idosos e 20 deficientes profundos tiveram de ser realojados e também foi preciso encontrar alternativas de trabalho para os cerca de 80 funcionários. A fazer fé nas informações dadas à TSF pelo presidente da Fundação D. Pedro IV, que geria o lar, e pelo sindicato que representa os trabalhadores, em ambos os casos, tudo correu bem.

Vasco Canto Moniz sublinha que a transferência dos residentes foi concretizada pelo Instituto da Segurança Social, tal como previsto no acordo assinado em finais de agosto; mas as informações que têm indicam que todas essas 160 pessoas têm "o problema de residência resolvido".

A maioria foi transferida para o Lar do Comércio, em Lisboa, mas também para outras instituições na região de Lisboa, nomeadamente a CERCICA - Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais. O presidente da fundação afirma que foi tido em conta o facto de muitos destes idosos e deficientes já viverem junto, no lar de Marvila, há muitos anos. Prova disso é que boa parte deles ficou no Lar do Comércio.

"Compromisso do Governo assegurado"

O encerramento do lar de Marvila fez perto de 80 pessoas temerem pelo desemprego, mas, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritório e Serviços de Portugal, ninguém ficou desempregado.

Orlando Gonçalves, dirigente sindical, afirma que "há vários trabalhadores que já estão colocados na Misericórdia" e os outros vão sê-lo muito em breve. O sindicalista garante mesmo que o "compromisso que foi assumido da parte do provedor e do Ministério do Trabalho, está a ser assegurado".

Em meados de agosto, Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, assegurou na TSF que a tutela estava a tentar "garantir uma solução adequada para cada um um dos trabalhadores", notando a "imensa procura e necessidade de recursos humanos no setor social" e afirmando que o objetivo era "garantir que estes trabalhadores não ficam desempregados". Na altura, a ministra referiu também que a Santa Casa da Misericórdia era um dos parceiros com os quais a Segurança Social procurava cumprir esse objetivo.

Ainda assim, está em curso um processo de despedimento coletivo na Mansão de Santa Maria de Marvila. Orlando Gonçalves, tal como o presidente da Fundação D. Pedro IV, garante que a lei a isso obriga, em casos como este. E que assim que se esgote o prazo previsto na lei, todos os trabalhadores despedidos estarão a trabalhar na Santa Casa da Misericórdia. O sindicalista afirma que "entram automaticamente para a Misericórdia" e "não ficam sequer no desemprego".

A situação na Mansão de Santa Maria de Marvila agravou-se nos últimos anos, devido a sucessivos cortes financeiros, nomeadamente em 2014, no tempo da "troika", altura em que as verbas da Segurança Social foram reduzidas em cerca de 700 mil euros anuais.

Ao longo do tempo, as condições foram-se degradando, havendo mesmo um relatório muito anterior - de 2004 - que já referia o grave estado de degradação do edifício, construído no século XVII. Ali chegou a funcionar um convento e o edifício é património nacional.

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