Flamingos nascidos em Portugal são a "menina dos olhos" dos vigilantes da natureza

A espécie nunca tinha nidificado em Portugal apesar das tentativas feitas no passado. Nasceram cerca de 500 crias na reserva Natural de Castro Marim.

Para os poder observar a nadarem nas águas da Reserva natural de Castro Marim não nos podemos aproximar muito. Vê-los mais de perto só de binóculos. "Está a ver aquele ali, o 2.º à esquerda? ", pergunta o funcionário do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. "Está a alimentar o filhote", explica. Ao longe vê-se uma mancha castanha-acinzentada. É a cor dos pequenos flamingos nascidos há pouco mais de um mês e que andam em grupo.

A mancha é apenas pontuada pelo rosa dos adultos que andam por ali a vigiá-los. Pedro Rodrigues, que acabou agora o estágio como vigilante da natureza na Reserva Natural de Castro Marim conta com entusiasmo que no mês de abril os colegas começaram a ver o que nunca por ali se tinha passado. "Dia 22 de abril, se não me engano, avistaram os ovos", lembra. Nos dias seguintes viram mais e mais ovos e os flamingos adultos sempre a vigiarem. "É uma coisa que o meu colega Paulo, que está aqui há 33 anos, esperou tanto para ver e eu vi logo no primeiro ano que aqui estou!", afirma satisfeito.

Paulo Monteiro, o colega que já leva mais de três décadas como vigilante no Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), lembra que começaram a ver cerca de 800 ninhos de flamingo, uma espécie que nunca tinha nidificado em Portugal, embora não tivessem faltado tentativas. "Em tempos tentámos fazer ninhos artificiais, mas sem sucesso", recorda. Mas desta vez nasceram ali cerca de 500 crias.

Ninguém sabe ao certo porque aconteceu este ano desta forma, mas os vigilantes suspeitam que por falta de água em Espanha onde habitualmente os flamingos faziam os ninhos, ou até pelo facto da pandemia ter diminuído a ocupação humana dos territórios e tudo ter ficado mais em silêncio. A colónia, entre pequenos flamingos e adultos, deve rondar os 3 mil animais. Os flamingos vão buscar a bonita cor rosa porque são conhecidos à sua alimentação. "A sua dieta é à base de crustáceos, que por sua vez comem algas que dão este tom rosado", explica o vigilante.

Ali, protegidos pelos adultos que estão sempre de olho nas crias, e pelos vigilantes que não deixam ninguém chegar perto, os pequenos flamingos, apesar de não conseguirem ainda voar, sentem-se protegidos. Os vigilantes da natureza gostavam que esta fosse uma colónia duradoura no sapal. "Todo o trabalho que nós fizemos para não haver perturbação nenhuma tem esse objetivo: haver uma continuidade", conclui Paulo Monteiro.

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