Flamingos selvagens podem nascer pela primeira vez em Portugal

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas está a vigiar dois locais de nidificação, sendo que num deles já há 400 ninhos de flamingos.

Duas colónias de flamingos estão a nidificar pela primeira vez em Portugal em duas áreas protegidas, depois de uma primeira tentativa mal sucedida, em 2010, anunciou o Instituto Nacional de Conservação da Natureza (ICNF).

"Este ano, e pela primeira vez, existem duas colónias de flamingos a nidificar em duas áreas protegidas sob a gestão do ICNF, onde se estima um valor considerável de ninhos nas duas colónias", lê-se numa nota do instituto.

O ICNF estima que "muito em breve" nascerão os "primeiros juvenis nascidos em território português", mas alerta para a "sensibilidade do momento", sublinhando "a importância de não perturbar as áreas escolhidas por esta espécie para nidificar".

Em declarações à TSF, Nuno Banza, presidente do ICNF, relata números nunca vistos em Portugal. Num dos locais há "400 ninhos e esperamos chegar até aos 700-800".

Apesar de ser uma ave comum no inverno nas zonas húmidas litorais desde o estuário do Tejo até ao Algarve, só tinham sido registadas tentativas de nidificação em 2010, e, antes disso, na década de 1980, ambas na região algarvia, mas sem sucesso.

Nuno Banza explica que o que está a favorecer esta procriação é a existência de populações residentes. "Isso também significa que os locais passaram a ter condições para suportar a presença dos flamingos durante todo o ano. Ou seja, que as aves não sentiram necessidade de migrar para cumprir o seu ciclo reprodutivo. Isto do ponto de vista da conservação da natureza é também um elemento a valorizar", afirma.

Segundo o ICNF, nos últimos anos, a população de flamingos tem vindo a aumentar no país, mesmo em zonas húmidas onde antes era pouco observada, no entanto, a espécie continuava sem nidificar em Portugal, por razões científicas desconhecidas.

A diminuição da atividade humana devida às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, aliada ao aumento das áreas de alimentação e repouso da espécie em Portugal - constatada por vigilantes da natureza e técnicos do Centro de Estudos de Migrações e Proteção de Aves do ICNF --, podem ter contribuído para facilitar a sua reprodução.

"Para além das razões identificadas, é do conhecimento da comunidade científica que os locais onde os flamingos (Phoenicopterus roseus) se reproduzem estão a sentir os efeitos da seca, desde há vários anos", a que se somam outros riscos, como os incêndios florestais, ou a contaminação de aquíferos, refere o INCF.

Sem as condições ecológicas reunidas, "os flamingos não têm espaço para se reproduzirem pelo que procuram outros locais que lhes permitam alimentar-se, nidificar e reproduzir-se, como sucede em Portugal, onde existem áreas ricas em alimento", conclui.

O Dia Internacional da Biodiversidade celebra-se hoje sob o mote "Somos parte da solução".

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