Forças Armadas nunca tiveram tantos efetivos na última década. Pandemia pode ser a causa

Governo afirma que a carreira militar é agora mais atrativa, mas associações de oficiais das Forças Armadas atribuem aumento de efetivo à crise gerada pela pandemia e à falta de alternativas.

As Forças Armadas registaram um aumento de efetivos pela primeira vez numa década. O último ano terminou com perto de 700 militares a mais nas fileiras, invertendo a tendência de abandono da profissão ao longo dos últimos anos.

Há, pelo menos, três fatores que ajudam a explicar este crescimento: o aumento do número de incorporações; a diminuição das saídas voluntárias e a possibilidade de prolongar contratos, uma medida de exceção aplicada pelo Governo, para fazer face ao impacto da pandemia.

Tudo isto contribuiu para que as forças armadas terminassem o ano de 2020 com mais de 660 militares nas fileiras, de acordo com dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público, citados pelo Jornal de Notícias (JN).

O Ministério da Defesa considera que há uma maior atratividade na carreira, destacando o Plano de Ação para Profissionalização do Serviço Militar. As associações do setor têm, no entanto, opinião diferente.

Ouvido pela TSF, o presidente da Associação de Praças, Paulo Amaral, afirma que se está a "dourar a pílula" em relação às Forças Armadas e garante que, no terreno, não se sente qualquer reforço.

"Esse número [de efetivos] que o Ministério da Defesa veiculou, em relação à categoria de praças, não corresponde, de todo, à verdade. Nós, da Associação de Praças, que estamos nas unidades a prestar serviço, verificamos precisamente o contrário. Não há um incremento de jovens, homens e mulheres, nas Forças Armadas", garante Paulo Amaral.

"O número [de militares], neste momento, está nesses patamares porque, no ano de 2020, devido à situação pandémica, os contratos que era suposto terminarem até ao dia 31 de dezembro foram prorrogados até ao final deste ano de 2021", explica.

Em declarações ao JN, o tenente-coronel António Mota, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, garante que a carreira militar não é atrativa e considera que os números inscritos em 2020 se devem ao aumento do desemprego, à falta de alternativas e à crise gerada pela pandemia.

A carreira é de tal modo pouco apelativa que a associação lembra até que a petição para levar o tema do aumento salarial dos militares à Assembleia da República está prestes a atingir as 7500 assinaturas.

"Tem de se começar a dar valor aos homens e mulheres que estão a prestar serviço nas Forças Armadas", reforça Paulo Amaral, da Associação de Praças.

O objetivo da revisão salarial é atrair e reter militares nas fileiras, sobretudo na categoria de praças, já que o posto de soldado não vai além do salário mínimo.

Notícia atualizada às 10h38

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