Forças de segurança descontentes com subsídio de risco prometem voltar à rua

As forças de segurança já tinham avisado que, se a proposta do Governo para o subsídio de risco estivesse abaixo dos 400 euros, haveria reivindicação e protestos. Os agentes vão avançar com todas as formas possíveis de luta, só não podem fazer greve.

A luta pelo aumento do subsídio de risco vai continuar. É o que garante César Nogueira, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, que ouviu o anúncio de Eduardo Cabrita, de uma subida em mais de três vezes (de 31 para cem euros), sem surpresa. "Nós conhecemos o valor provisório que nos foi apresentado. Sempre dissemos que não concordávamos, e, na última reunião, que deu por encerrado este capítulo de subsídio de risco, pelo menos em sede de Ministério da Administração Interna, dissemos que não concordaríamos e que iríamos fazer tudo para que esse valor fosse aumentado."

Agora, assegura o responsável, segue-se uma reivindicação que será conseguida com reuniões com os grupos parlamentares, mantendo uma "postura reivindicativa", e através de "protestos de rua".

"Não temos outra forma de protesto, não temos direito à greve, por isso passará por iniciativas de rua, sejam elas manifestações, concentrações ou outras, como já fizemos, em eventos públicos... Estaremos presentes."

Pelo caminho ficou uma contraproposta conjunta, apresentada pelos guardas da GNR mas também pela Associação Socioprofissional da Polícia, uma proposta faseada para chegarem ao valor que consideram justo: "A nossa contraproposta era, para 2022, 200 euros; para 2023, 300; e finalizar, em 2024, e, a partir daí, ficar nos 400."

Paulo Santos, da ASPP (Associação Socioprofissional da Polícia), já tinha também deixado o aviso de que as forças de segurança voltariam à rua se voltasse a ser anunciada a proposta de cem euros para o subsídio de risco. A posição mantém-se, assevera Paulo Santos, também em declarações à TSF. "Se virmos aquilo que são as perspetivas do Governo para outras áreas, dificilmente compreendemos por que é que, para a área de segurança pública, continuamos sempre a ser os parentes pobres da função pública", comenta o presidente da associação.

"Não queremos acreditar que esses argumentos sejam válidos, porque não me recordo, desde logo, com haver em processos negociais margem financeira para que os processos decorram de outra forma", acrescenta Paulo Santos, que atira críticas à governação socialista. "O Partido Socialista, sempre que está no Governo, tem uma postura muito orçamental e muito restritiva, uma perspetiva muito financeira dos problemas de segurança pública. Os governos têm de encarar a segurança pública, não como uma despesa, e sim como um investimento."

Paulo Santos pede ao Executivo para não "apregoar a segurança do país como uma prioridade e depois não dar a devida compensação àqueles que são os profissionais que respondem às necessidades do país". Os profissionais de segurança sentem-se "desgastados" pela falta de valorização, reafirma ainda.

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