Francisco Sousa Tavares: 100 anos do nascimento de um homem corajoso

Foi advogado, jornalista e ministro. Opôs-se à ditadura e foi um dos personagens do 25 de Abril de 1974.

Francisco Sousa Tavares nasceu no dia 12 de junho de 1920. Há cem anos.

O advogado e jornalista foi uma figura marcante da luta politica contra a ditadura de Salazar e Caetano. Monárquico, ativista da oposição católica, Sousa Tavares defendeu vários presos políticos, e foi, ele próprio, preso pela PIDE.

Durante 40 anos, esteve casado com a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen. O professor universitário Luís Moita partilhou com ele e com Sophia algumas das lutas. Uma delas, a vigília e greve de fome na passagem de ano de 1972 para 1973, na capela do Rato, em Lisboa.

Foi uma das ocasiões em que Francisco Sousa Tavares se ofereceu para o defender em tribunal. Coisa que não chegou a acontecer.

Além de Luís Moita, o advogado defendeu outros presos políticos, como os dirigentes comunistas Manuel e Jaime Serra.

Ficou inscrito na história do 25 deAbril, quando, em pleno largo do Carmo, conheceu Salgueiro Maia, que lhe pede para falar ao povo e tentar acalmar os ânimos, durante a negociação da rendição de Marcelo Caetano.

Dois dias depois, haveria de estar à porta do forte de Caxias, a abraçar os presos libertados. É uma outra memória de Luís Moita, que passou o 25 de Abril na prisão, e foi um dos que recebeu o abraço de Francisco Sousa Tavares e de Sophia de Mello Breyner.

Depois do 25 de Abril, aderiu ao Partido Socialista, e destacou-se como diretor do vespertino A Capital, e particularmente com os editoriais que assinava. Editoriais que visavam o Governo e o Presidente da República, Ramalho Eanes. É dessa altura que Luís Moita guarda algumas divergências, "especialmente quanto à situação em Angola, e ao processo de descolonização".

Sousa Tavares balançou, nessa época, entre o PS e o PSD. Apoiou Soares Carneiro, nas eleições presidenciais de 1980, e viria a romper com o PSD, quando apoiou Mário Soares nas presidenciais de 1986.

Antes, tinha deixado a direção d´A Capital para ser ministro da Qualidade de Vida, com a tutela do Desporto, do Ambiente e da Juventude, durante o Governo do bloco central, liderado por Mário Soares. A experiência durou um ano.

Voltaria a escrever nos jornais, no Público e no Independente.

Morreu em maio de 1993, com 72 anos.

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