Fronteira para três com hora marcada

Os Governos de Portugal e de Espanha acordaram a abertura da fronteira em Rio de Onor quatro horas por semana.

Dois agricultores da aldeia espanhola de Rihonor e um da portuguesa Rio de Onor reivindicaram a abertura da fronteira, fechada por causa da pandemia de Covid-19, para passarem para os campos que têm de um e de outro lado.

A pressão exercida junto das autoridades locais dos dois países chegou ao Ministério do Interior Espanhol e ao Ministério da Administração Interna português e os dois acordaram abrir uma exceção. Assim, a partir desta quarta-feira, aquela fronteira abrirá duas horas à quarta-feira e outras duas ao sábado, para os três agricultores tratarem dos campos e dos animais.

"É uma situação de exceção, e só para os três agricultores", lembra o capitão Hernâni Martins, da GNR de Bragança. "A fronteira vai abrir ali às quartas e aos sábados, das nove às onze da manhã para passarem para um e outro lado, depois fecha", salienta o oficial.

Duas aldeias como uma só

Sofia Preto, habitante de Rio de Onor, não vê qualquer problema com as movimentações: "Não há problema nenhum porque aqui, graças a Deus, ainda não há nenhum infetado." E tanto o espanhol como o primo português, acrescenta, têm propriedades de um e de outro lado da fronteira. "O senhor espanhol tem um rebanho aqui em Portugal e um trator em Espanha e precisa de passar com ele para apanhar a comida para os animais. O meu primo Francisco também tem o trator na Espanha. Também precisa de passar porque tem propriedades na Espanha e precisam de andar assim, de cima para baixo."

As duas aldeias sempre foram como uma só. Nem mesmo os regimes de Salazar e de Franco separavam os casamentos, os terrenos e todas as atividades de um e de outro lado. A dita fronteira, ali, só esteve fechada pouco tempo e foi depois do 25 de Abril, diz Sofia Preto. "Naquela altura um capitão Pinheiro lembrou-se de fechar aqui a fronteira a cadeado. Mas esteve pouco tempo fechada porque depois veio cá o Sr. Mário Soares e voltaram a abri-la. Aqui nunca esteve fechada. Era como se fossemos só uma aldeia. Tínhamos propriedades de um e de outro lado e tínhamos que passar com os carros dos bois e ir trabalhá-las."

Agora, fechou por causa do vírus, mas, pela necessidade dos três agricultores, a fronteira abre duas horas às quartas e outras duas aos sábados de manhã.

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