Funcionárias de residência sénior da Maia com 14 infetados pedem voluntários

De um total de 16 funcionárias, apenas cinco estão a trabalhar, sendo que três delas estão em regime de 24 horas.

As funcionárias da CliniCuidados, residência sénior da Maia na qual oito idosos e seis auxiliares testaram positivo pela covid-19, estão a apelar a voluntários, prometendo remuneração e material de proteção individual, indicou a responsável da equipa técnica.

De um total de 16 funcionárias, apenas cinco estão a trabalhar, sendo que três delas estão em regime de 24 horas, ou seja, ficam noite e dia na instituição que acolhe 17 idosos, fechou o centro de dia e reduziu o serviço de apoio domiciliário, apoiando apenas quem não tem qualquer suporte.

Em declarações à agência Lusa, Sara Alvarenga, responsável pela equipa técnica apelou à ajuda de voluntários, garantindo que a instituição localizada na Maia, concelho que aparece em quinto lugar no relatório apresentado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS) com 390 casos de infeção pelo novo coronavírus, dará uma "remuneração e equipamento de proteção individual".

"Sabemos que quem aderir será por altruísmo porque só trabalha nesta área quem tem enorme sensibilidade. Apelamos a que pessoas com conhecimento da área - porque com a equipa tão reduzida não conseguimos dar formação - nos ajudem e prometemos remuneração e proteção. É apenas para fazerem equipa com uma nós para que as restantes possam descansar. Os nossos idosos vão ver sempre ver a pessoa que conhecem, uma de nós, mas nós precisamos de ajuda", referiu Sara Alvarenga.

A residência sénior CliniCuidados da Maia regista 14 testes positivos covid-19: oito idosos e seis funcionárias.

No total acolhe 17 idosos e habitualmente tem uma equipa de 16 funcionárias, mas 11 já estão em casa a recuperar ou isolamento.

Quanto aos idosos que testaram positivo, permanecem na residência separados dos restantes, cuidados, estando "estáveis e com sintomatologia leve", descreveu à Lusa a responsável.

Os testes à covid-19 foram feitos, numa primeira fase, por iniciativa da instituição, e numa segunda fase no âmbito da decisão da Câmara da Maia de testar todos os idosos de lares locais.

Após a confirmação de casos positivos, o espaço de 2.600 metros quadrados foi higienizado, tendo os idosos permanecido num hotel do centro da Maia durante dois dias.

Questionada sobre o estado de espírito da equipa e dos utentes da residência, Sara Alvarenga, lembrou que algumas funcionárias "não vão a casa há dias e estão privadas das suas famílias", mas garantiu "muita motivação".

"Estamos tranquilas e motivadas. E tentamos que os nossos idosos não se apercebam muito do que se passa do portão para fora. Estamos a acusar algum cansaço e desgaste emocional, mas não o transmitimos aos idosos. Agora, mesmo de máscaras colocadas e todas equipadas, sorrimos-lhes com os olhos", disse a responsável.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 54 mil.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, mantém-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.

Segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 246 mortes, mais 37 do que na véspera, e 9.886 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 852 em relação a quinta-feira.

Dos infetados, 1.058 estão internados, 245 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 68 doentes que já recuperaram.

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