Funcionários e professores de colégio privado de Viseu não foram convocados para a vacinação

No Centro de Vacinação de Viseu vão ser vacinados este fim de semana cerca de mil pessoas, entre pessoal docente e não docente. Vacinação arrancou às 09h00 e está a decorrer sem incidentes. Em média, por hora, são ministradas 100 vacinas.

Os funcionários afetos ao 1º ciclo do Colégio da Imaculada Conceição, uma instituição de ensino privado da cidade de Viseu, não foram convocados para a vacinação contra a Covid-19, numa campanha que arrancou este fim de semana em todo o país. Apenas alguns professores desta instituição educativa estão a ser vacinados nesta fase. A direção da escola já pediu explicações à tutela.

Segundo Paula Martins, diretora pedagógica do Colégio da Imaculada Conceição, "nenhum funcionário foi chamado".

"Eu já questionei o porquê. Os professores também nem todos foram chamados. Não sabemos porquê, não fomos informados. Mandei a lista para a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) a informar que houve uma grande falha no nosso colégio", diz.

Dos 16 professores afetos ao 1º ciclo na instituição de ensino, apenas uma dúzia vai receber a vacina. Os restantes, tal como os auxiliares de educação, terão que esperar pela próxima fase da vacinação.

Paula Martins considera "incompreensível" a situação e não quer "especular" sobre os motivos do pessoal docente e não docente ter ficado de fora.

"Noutras escolas também houve falhas, quero acreditar que foi uma falha do sistema e não propriamente uma discriminação do ensino privado. Prefiro acreditar e ter fé que de facto foi só uma falha", defende.

Já no Agrupamento de Escolas Grão Vasco, também em Viseu, não se registaram incidentes. Foram convocados para a vacinação uma centena de docentes e cerca de 50 funcionários.

"Daquilo que tenho conhecimento só não foram chamados os professores que estão nas Atividades de Enriquecimento Curricular, dois professores porquê tinham o número de telemóvel errado e uma funcionária que não sei qual é o motivo. Há ainda pessoas que não foram chamadas porque tiveram Covid", refere Luís Nobrega, subdiretor do estabelecimento de ensino.

O responsável diz que algum pessoal docente e não docente da escola preferiu não ser vacinado. Não sabe quantificar e salienta que esses são casos que dizem respeito à vida privada de cada pessoa.

"No meu agrupamento, neste momento não tenho nada a apontar [à vacinação]. Dou uma nota bastante positiva", afirma.

Mil docentes e não docentes vacinados

A inoculação dos professores, educadores de infância e funcionários de jardins-de-infância e escolas primárias vai decorrer durante todo o fim de semana em Viseu. Está previsto serem vacinadas 959 pessoas, ainda que tivessem estado referenciadas 1022.

A campanha está a decorrer no Centro de Vacinação que foi montado no Pavilhão Multiusos, e onde durante a semana são imunizados idosos e pessoas com doenças graves. Foi também lá que foram inoculados polícias e bombeiros.

As portas do centro abriram às 09h00. Entre essa hora e as 13h00 passaram pelo Pavilhão Multiusos 385 pessoas, todas cumprindo o horário da marcação que tinham recebido por SMS.

Ao entrar tinham que trocar de máscara. Os circuitos de entrada e saída estão bem definidos e não há cruzamento entre pessoas. Quem chega tem que passar por dois postos de controlo antes de receber a vacina, para evitar que haja abusos.

A inoculação decorre em várias boxes, sendo que só o utente e o enfermeiro se encontram em cada um destes espaços. Pelo caminho quem é vacinado recebe as indicações de dezenas de voluntários. Depois da vacina tomada segue-se uma espera de meia hora, numa sala ampla.

"Correu tudo bem, cumpriram os horários e tudo estava bem organizado", começa por referir o professor António Rodrigues.

Este docente do ensino especial confessa que teve algum receio de tomar a vacina da AstraZeneca, depois de todas as notícias que vieram a público, ainda assim não recusou o fármaco porque "pesando o risco e a toma", optou antes "pela toma".

A primeira dose está dada, falta a segunda que deverá ocorrer dentro de três meses, mas até lá António não vai baixar a guarda. Diz que os comportamentos não podem ser mudados para não colocar "em risco os outros".

A única critica que este professor tem a fazer prende-se com o "timing" em que a vacinação está a ser feita. Considera que o processo devia ter arrancado antes do regresso às escolas, que aconteceu há 15 dias.

Uma opinião partilhada por Paula Sousa, assistente operacional num jardim-de-infância.

"Já devíamos ter levado a vacina há mais tempo porque as escolas têm que ser protegidas. Com as escolas fechadas, fecha tudo", argumenta.

"Não houve nenhuma reação adversa"

Até cerca das 13h00 em Viseu tinham sido vacinados 385 professores e funcionários de escolas do concelho. A coordenadora do centro de vacinação, Maria Albernaz, garante que tudo está "a correr muito bem". "Não temos filas, listas de espera, estamos a vacinar ao ritmo planeado", adianta a enfermeira.

Durante a tarde serão vacinadas cerca de 300 pessoas e amanhã outras tantas, num total de 959.

Em média cada utente está uma hora no centro de vacinação, cumprindo todos os passos burocráticos e a necessária vigilância de 30 minutos caso apareçam reações adversas.

"Não houve nenhuma reação adversa, está tudo a decorrer tranquilamente. Os professores estão a aderir bem e está tudo dentro da normalidade", conclui.

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