Gargalhadas que podem ajudar a curar doenças
Reportagem TSF

Gargalhadas que podem ajudar a curar doenças

Há sete anos que a Palhaços d"Opital leva alegrias e afetos a adultos e seniores internados em hospitais portugueses e é a única associação cultural, de palhaços, a trabalhar com adultos em Portugal. A primeira da Europa e a segunda no mundo. Normalmente o foco são as crianças, mas estes doutores palhaço ajudam a passar o tempo, arrancam sorrisos e melhoram o estado anímico de adultos internados em hospitais portugueses.

Este mês, no IPO de Coimbra, está a ser realizado um estudo que, através de biomarcadores, vai tentar provar que a passagem destes palhaços tem impacto positivo na saúde mental dos doentes e que ajuda na sua recuperação.

No ano passado fizeram 110 visitas e este ano o objetivo são as 135.

Na reportagem da TSF - "Lufada de ar fresco" - acompanhamos as visitas aos cinco hospitais que recebem as visitas dos doutores palhaços. O casamento entre a Palhaços d"Opital e os hospitais por onde passa tem sido duradouro. Com o hospital de Aveiro dura desde fevereiro de 20132, seguiu-se o hospital da Figueira da Foz logo no mês seguinte, o Centro Hospitalar de Tondela Viseu, em outubro de 2014 e, mais recentemente, o IPO de Coimbra, em 2017, e o Hospital Pedro Hispano em Matosinhos, em 2019.

O segredo para que corra tudo bem nestes relacionamentos chega-nos pela voz de Margarida Ornelas, da administração do IPO de Coimbra.

Em todos os hospitais, os doutores palhaços combinam um dos momentos mais importantes das visitas: a passagem de serviço, se é que assim se pode chamar à passagem de informações entre enfermeiros e palhaços. Ficam a saber que doentes podem e devem visitar e quais as suas limitações: demência, cegueira, surdez, entre outros.

Hugo Santos, do gabinete de comunicação e representante da administração do Hospital de Viseu, onde os palhaços começaram com iniciativas esporádicas e onde estão com regularidade desde 2014 passando por todos os serviços de forma rotativa, sublinha que o foco da Palhaços d"Opital está centrado nos adultos e nos seniores internados nos hospitais. Uma ideia que sai reforçada na reportagem por Isabel Rosado, presidente da Associação.

Os doutores palhaço da Palhaços D"Opital são os primeiros da Europa e os segundos no mundo a trabalhar com seniores. Receberam o apadrinhamento do ator Ruy de Carvalho e entre vários embaixadores do projeto está o humorista Nilton.

Para trabalhar com os seniores houve muitas horas de formação em áreas que tocam esta população, mas também formação musical e artística que a TSF acompanhou.

Doentes mudam de humor de forma notável

Bárbara Amorosa e o marido chegaram ao IPO de Coimbra depois de uma viagem com origem em Castelo Branco, que os fez sair da cama às cinco da manhã. Ela estava triste, interagiu com os palhaços e garantiu-nos que o seu dia ganhou uma nova cor.

Esta alteração de humor é uma das mais-valias da passagem da Palhaços d"Opital pelo IPO de Coimbra, refere João Almeida, o enfermeiro diretor. Uma ideia reforçada por Conceição Mineiro é a enfermeira chefe do serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Urologia. A passagem dos doutores palhaços é focada nos doentes, mas a enfermeira não esconde o impacto que tem nos profissionais de saúde.

Equipa de Doutores Palhaço focada nos mais idosos

Susana Gonçalves é a doutora Donizette Chiclete, Beatriz Melo dá vida à Doutora Bem-Haja, Jorge Rosado é o Doutor Risoto, Marta Rosas é a doutora Milla Nezza e, o último a chegar ao grupo, que está ainda a recrutar, foi Rafael Cid, o doutor Valente Valentão.

Por ano, para conseguirem trabalhar com seniores e em ambiente hospitalar, fazem cerca de 290 horas de formação interna: de voz e de instrumentos musicais, como esta que ouvimos, na Academia de Música de Coimbra. Trabalham também a performance artística e fazem ainda formação externa.

Na Academia de Música de Coimbra, os palhaços aprendem como chegar aos seniores pela voz e pelo canto, com as aulas da professora Mafalda Camilo, e atingir o coração de quem os visita com o Ukelele: o instrumento musical que estão a aprender a dominar com José Rebola, vocalista dos Anaquim.

Estudo quer mostrar impacto da presença dos palhaços nos hospitais

O estudo será efetuado com biomarcadores e avança em abril de 2020, com doentes do IPO de Coimbra. É realizado com financiamento do Portugal 2020 e é levado a cabo pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Uma validação científica dos doutores palhaços, que tem ao leme a investigadora Manuela Grazina.

Estes biomarcadores permitem perceber a associação dos índices de bem-estar com o estado biológico e bioquímico das pessoas, que serão medidos antes e depois da passagem dos doutores palhaço pelas enfermarias e salas de espera. Assim se garantem valores mais fidedignos, sem vieses, anulando qualquer hipótese de que outros fatores influenciem os resultados.

O estudo só agora vai começar, mas há resultados esperados de antemão, que podem vir a ser confirmados: a passagem destes profissionais pode melhorar o estado anímico dos pacientes e apoiar numa recuperação mais rápida.

O efeito placebo é um efeito neuroquímico e quando a pessoa acredita que vai melhorar o seu cérebro muda. O acreditar vai melhorar a resposta à doença.

Em abril podem já existir resultados e, até ao final de 2020, o estudo preliminar estará concluído e vai permitir perceber o impacto das interações da Palhaços d"Opital nos hospitais que visita.

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