Governo alvo de críticas por falta de formação na área dos paliativos no PRR

Há 205 milhões para gastar, mas é sobretudo em novas unidades e camas de cuidados continuados e paliativos.

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos mostra-se preocupada por não ver nas verbas do PRR qualquer intenção de formar profissionais nesta área. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) prevê financiar 400 camas para a Rede Nacional de Cuidados Paliativos, mas a presidente da Associação explica que não há profissionais para acudir a tantos doentes. E o PRR, garante a Associação, não prevê a alocação de verbas para a formação de médicos e enfermeiros nesta área tão sensível.

O Plano de Recuperação e Resiliência prevê 205 milhões para cuidados continuados e paliativos, mas a maior fatia vai para a criação de novas unidades e de mais camas no SNS. Catarina Pazes considera que não basta aumentar e financiar o número de camas em " unidades de baixa complexidade", promovidas pelo setor privado. "As camas não prestam cuidados", afirma com ironia. "Havendo essas unidades criadas, se não tivermos os profissionais capacitados para responder, elas serão sítios muito bonitos e com muitas condições físicas, mas o resto, que é o mais importante, falha", assegura.

No último plano estratégico a Comissão Nacional de Cuidados Paliativos estimou que, em Portugal, entre 80 a 100 mil pessoas estavam necessitadas desta ajuda, entre elas mais de sete mil crianças.

O plano previa ainda a necessidade de 54 equipas comunitárias em cuidados paliativos. São equipas formadas por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que vão a casa dos doentes a precisarem destes cuidados. Mas em Portugal só há 24 equipas destas, menos de metade do necessário, e grandes assimetrias geográficas.

Catarina Pazes, também ela enfermeira numa equipa comunitária de cuidados paliativos no Alentejo, dá o exemplo de duas médicas que estão à espera há meses para irem estagiar e aprender na sua equipa. "E uma delas está numa região onde não existe qualquer equipa", exclama. "Ou isto é uma prioridade e há um investimento na alocação de recursos necessários, ou continuaremos a dizer que 70% dos doentes não têm acesso a cuidados paliativos, com o impacto negativo que tudo isto tem para os doentes, famílias e para o próprio Serviço Nacional de Saúde", conclui.

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