Novo sinal para vias reservadas a carros com pelo menos dois ocupantes

Novos sinais eram aguardados há seis anos por quem planeia a mobilidade dentro das cidades. Bicicletas e peões ficam a ganhar.

Vários dos novos sinais publicados esta terça-feira pelo Governo em Diário da República estavam previstos há seis anos no Código da Estrada, mas como nunca tinham sido regulamentados ainda não podiam ser usados para multar os condutores.

A explicação é avançada à TSF por Paula Teles, engenheira e especialista em mobilidade, que sublinha que para quem trabalha estas áreas este é um dia "muito feliz" que vai permitir dar "existência formal e legal" a sinais "importantes" para "um país que está em mudança" e onde se promovem, cada vez mais, os modos de transporte "suaves" como andar a pé, de bicicleta ou em transportes públicos.

Carros e cidades partilhadas

Um dos novos sinais que pode surpreender os condutores é azul, redondo e tem um carro com duas pessoas lá dentro, além de um "2" com um "+" ao lado.

Ao contrário de outros sinais da lista agora publicada que apesar de não estarem regulamentados já são usados em algumas zonas do país (por exemplo os que alertam para o perigo de linces ou anfíbios por perto), o sinal seguinte existe no estrangeiro, nomeadamente nos Estados Unidos da América, mas nunca foi aplicado em Portugal.

Na prática, o sinal de "via reservada a veículos com alta taxa de ocupação" permite que possam ser criadas vias reservadas a veículos que transportem "duas ou mais pessoas incluindo o condutor", promovendo a partilha dos carros, a poupança de combustível e do ambiente, mas também o descongestionamento das cidades.

Paula Teles considera o sinal anterior "muito relevante" pois sabemos que muitos carros circulam apenas com o condutor lá dentro.

A especialista em mobilidade aplaude ainda os novos sinais para ajudar os ciclistas numa altura em que há cada vez mais bicicletas a circular nas cidades.

Finalmente, Paula Teles sublinha que finalmente fica regulamentado e publicado em letra de lei o sinal para as zonas de coexistência entre carros e peões, algo reclamado há muito por quem planeia a mobilidade dentro das cidades.

"A prioridade passa a ser dada ao mais vulnerável, o deficiente, o peão ou alguém de bicicleta, e só no fim ao automobilista que já não pode pensar que é o ator principal dentro destas zonas de coexistência", explica a engenheira que tem feito planos de mobilidade para várias autarquias.

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