Portugal exige que Bélgica retire Alentejo e Algarve das zonas de risco

A decisão surpreendeu até o ministro belga dos negócios estrangeiros que "não sabia".

O ministro Augusto Santos Silva manifesta-se surpreendido pele inclusão do Alentejo e Algarve numa lista de regiões para as quais as viagens são desaconselhadas. Santos Silva garante que já tomou medidas, para que a informação "seja corrigida".

"Mal reparei esse facto, falei ao embaixador português em Bruxelas que desconhecia. Pedi para falarem com a embaixadora belga em Lisboa que desconhecia. E, mal houve um intervalo na reunião. Falei com o meu colega, o ministro dos Negócios Estrangeiros belga que também desconhecia", disse o ministro, considerando que não existe "nenhum dado" que o justifique.

"Para grande surpresa minha, confesso, visto que não conheço nenhum dado que possa associar essas duas regiões aos níveis que, infelizmente, conhecemos nas tais 19 freguesias da Grande Lisboa", afirmou.

O chefe da diplomacia portuguesa espera agora que o ministério dos Negócios Estrangeiros da Bélgica retire o Alentejo e o algarve da lista de destinos desaconselhados aos viajantes.

"Espero que o sítio do Ministério dos Estrangeiros da Bélgica seja corrigido. Porque não era essa a decisão tomada pelas autoridades belgas na quinta-feira. Não foi essa a decisão tomada pelas autoridades belgas na sexta-feira. Não foi essa a informação que nos foi transmitida, [pois] a Bélgica considerava Portugal como uma lista chamada verde exceto para 19 freguesias dos arredores de Lisboa", disse sem contestar a medida, para a região de Lisboa, embora questione a eficácia das restrições .

"Compreendo essa precaução não sei como é que ela depois é aplicada na prática e tenho sempre medo de medidas que não são concretizadas, porque não credibilizam essas medidas", afirmou Santos Silva.

As autoridades Belgas incluíram o Alentejo e o Algarve na zona laranja, no quadro de alerta, equiparando o risco de contágio nas duas regiões de Portugal, ao da cidade alpina italiana de Trento, situada junto à região que foi o epicentro da pandemia, quando em fevereiro começaram a ser detectados casos na Europa.

Para quem regressa à Bélgica vindo destas regiões, fica sujeito a um regime de "vigilância reforçada" para despistagem da Covid 19.

A informação mantém-se, porém, activa no site do ministério belga dos negócios estrangeiros.

A decisão é revista regularmente, permitindo agora viagens sem restrições, para a generalidade do território português, desaconselhadas deslocações ao Alentejo e Algarve, entretanto identificados a laranja. E, algumas zonas da periferia de Lisboa têm imposição de restrição máxima, como a quarentena obrigatória.

Mas, se a decisão das medidas pode ser difícil, a aplicação no terreno parece ser um quebra cabeças ainda maior.

Regresso de Lisboa

No caso dos portugueses, ou passageiros com origem em Lisboa, via aeroporto Humberto Delgado, foram confrontados, durante o fim de semana, com a necessidade de preencher um documento, assumindo o compromisso de um período de quarentena, independentemente de onde se tenha ficado alojado em Portugal.

Ao que a TSF apurou, o formulário gerou controvérsia, e alguns passageiros protestaram por este não reflectir as novas decisões, já que indiscriminadamente eram obrigados a uma quarentena, sem nunca terem estado nas chamadas zonas vermelhas. Alguns passageiros acabaram por entregar o documento sem estar preenchido, perante uma tripulação sem "grandes orientações para dar", por também "não estarem muito a par", apurou a TSF.

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