Governo já está a estudar exclusividade de médicos no SNS

Marta Temido rejeitou a visão de tempo perdido nesta legislatura, e diz que o Ministério da Saúde já está a estudar a opção pela dedicação exclusiva dos profissionais de saúde ao serviço público.

A ministra da Saúde reconhece que há problemas no Serviço Nacional de Saúde, mas sublinha que também há "um caminho que já foi feito".

Perante o relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), que conclui que aquilo que fica "para memória futura" da governação do setor entre 2015 e 2019, e da legislatura que está a terminar, "é manifestamente pouco face às expectativas geradas", Marta Temido defende-se.

"O relatório refere que há desigualdades persistentes ainda no nosso sistema de saúde. Estamos conscientes delas", diz, argumentando que tem sido feito um trabalho de melhoria da distribuição dos recursos humanos nos cuidados de saúde primários, reduzindo o número de portugueses sem médico de família.

Em declarações aos jornalistas no final da sessão onde foi apresentado o documento, a ministra deixou ainda garantias de que o Ministério da Saúde já começou a estudar a opção da dedicação exclusiva dos profissionais de saúde ao serviço público.

"Estamos a estudar de que forma uma opção pela dedicação plena se poderia materializar, em termos de impacto financeiro, de quem abranger", afirma Marta Temido.

Exclusividade divide opiniões

Esta manhã no Fórum TSF, o bastonário da Ordem dos Médicos considerou que a proposta da ministra não resolve o problema do Serviço Nacional de Saúde.

Miguel Guimarães lembra que quando os médicos fazem uma especialidade trabalham muitíssimo e ganham muito pouco: "Não devem nada ao Estado - o Estado é que lhes deve a eles".

Opinião diferente tem Francisco George. O presidente da cruz vermelha portuguesa, antigo diretor-geral da Saúde considera que "não faz sentido os médicos trabalharem num setor de manhã, à tarde noutro e à noite noutro."

O presidente da cruz vermelha portuguesa​​​​​​ acredita que o​ ministro das Finanças não vai colocar entraves à esta proposta e que Marta Temido vai conseguir implementar a medida.

Por seu lado, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares lembra que a medida da exclusividade já existiu e deu alguns problemas.

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