"Grande mágoa." No adeus à liga de bombeiros, Marta Soares lamenta problemas no financiamento

Na véspera da passagem de testemunho a António Nunes, na presidência da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, entrevistado por Fernando Alves, na Manhã TSF, admite que, apesar das vitórias, muito ficou por fazer e que os bombeiros continuam sem a valorização de que são merecedores.

Doze anos depois, Jaime Marta Soares entrega a presidência da Liga dos Bombeiros Portugueses a António Nunes. A decisão de não se recandidatar à presidência da instituição foi comunicada durante o verão, numa audiência com o Presidente da República. Na véspera de terminar as funções, Jaime Marta Soares defendeu, numa entrevista conduzida por Fernando Alves, na Manhã TSF, que a falta de financiamento dos bombeiros é uma causa que nunca estará perdida.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses considerou os seus pares "homens e mulheres valentes" que nunca dão a missão por vencida, e que, como tal, não têm medo de enfrentar as chamas, nem o "Estado autista" e a Assembleia da República desatenta à importância destes profissionais. Por isso, Jaime Marta Soares abandona o cargo sem receios. "As pessoas não se podem nem devem eternizar no poder. O poder está nas mãos das pessoas que todos os dias pugnam para o bem-estar das populações, dão a sua própria vida na defesa da vida do outro homem, seu irmão."

Neste caso, frisa ainda o representante dos bombeiros, "não há poder nenhum, há uma entrega, há uma missão", e que foi "cumprida, dentro do possível". De "consciência tranquila" é como se diz Jaime Marta Soares, numa altura em que faz o balanço às vitórias alcançadas durante o mandato de 12 anos: "Nós tivemos algumas vitórias em algumas reformas que conseguimos levar por diante, e elas foram bastantes." A luta contra as pretendidas alterações à Lei Orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que se traduziu numa manifestação de cinco mil bombeiros em 2018 terá sido a grande vitória do seu mandato.

Além da participação e exigência na reforma da Lei Orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, esta presidência fica marcada pela assinatura de um novo protocolo com o INEM, o que já não era realizado há dez anos. Mas há pontas soltas que ainda necessitam de reparos. Jaime Marta Soares elenca, por exemplo, o facto de as viaturas para transporte de doentes, que evitam a necessidade de vários motoristas, terem de pagar portagens, já que este mandato terminou sem ver a luz ao entendimento entre o Estado e as concessionárias/portagens.

Apesar da insistência, falta também, diz o presidente da liga, "considerar a função de bombeiro uma função de alto risco", a "bonificação da vantagem do tempo de serviço para a reforma". Fez-se a reforma da lei do financiamento, mas o problema "é o financiamento da lei". Outra das medidas propostas pelo representante da liga de bombeiros assenta no usufruto de uma juventude com grande "tendência para ajudar, para o voluntariado". Jaime Marta Soares rejeita que haja amadorismo nos bombeiros voluntários, pelo que devem ser incentivados, e o Estado deve atrair pessoas com garantias de futuro e incentivos "extremamente importantes".

"Se souberem que têm uma pequena compensação, que até possa ser dirigida aos próprios familiares (creches, infantários)...", reflete.

Os bombeiros, sustenta, são um "parceiro fundamental para o bem-estar e qualidade de vida dos portugueses", já que 98% do socorro em Portugal é efetivado pelos bombeiros, e, em 90% dos incêndios florestais, os bombeiros estão presentes a combater o fogo.

"Entrámos com esse discurso, saímos com esse discurso, e com uma grande mágoa. Coisas absolutamente incríveis e inacreditáveis que marcam, ferem e magoam os bombeiros..." Jaime Marta Soares lamenta, sobretudo, a inação de vários governos. "Fazem-se discursos bonitos, enchem o coração das pessoas de alguma boa disposição, mas, depois, entre a teoria do discurso e a práxis, vai uma distância como do dia para a noite", sublinha.

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