Greve de trabalhadores da CP e IP deverá causar perturbações na circulação de comboios

A CP prevê perturbações na circulação dos comboios a nível nacional. Também a Fertagus "prevê poder realizar 25% da sua oferta normal de dia útil".

Os trabalhadores da CP - Comboios de Portugal cumprem esta quarta-feira uma greve de 24 horas, em conjunto com os trabalhadores da Infraestruturas de Portugal (IP), com a CP e a Fertagus a preverem perturbações na circulação.

A CP informou que, devido a greve convocada por organizações representativas dos trabalhadores, preveem-se esta quarta-feira perturbações na circulação de comboios a nível nacional.

Ouvido pela TSF, António José Pereira, dirigente do Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários, dá conta das principais reivindicações dos trabalhadores que representa.

"Fizemos um acordo em janeiro deste ano com a empresa de 0,9% de aumentos salariais, na altura a inflação era de 1,3%. Neste momento, a inflação em outubro estava em 10,2%. É evidente que isto teve um aumento brutal na vida dos trabalhadores, tentámos, em julho deste ano, uma reunião, chegar a um acordo que fosse possível um valor monetário para compensar o poder de compra. Não obtivemos resposta nenhuma", explica António José Pereira.

O dirigente acusa ainda a CP de não mostrar abertura para negociar: "A CP chamou-nos para uma reunião junto com o Ministério das Infraestruturas e da Habitação, com a presença do senhor ministro, onde apresentámos várias soluções. Pediram-nos um prazo, que lhes foi dado até ao dia 28 para tentar alguma coisa que fosse ao nosso encontro e deram-nos a informação que não era possível."

José Manuel Oliveira, dirigente da Fectrans, sublinha que os aumentos propostos pela IP representam uma perda do poder de compra dos trabalhadores.

"A IP aplicou este ano uma atualização de salários de 0,9% no quadro em que já estamos com uma inflação superior a 10%, o que significa uma redução significativa do poder de compra e uma desvalorização dos salários, e isso tem implicações na dificuldade que as empresas hoje começam a ter de fixar ou admitir trabalhadores. A questão dos salários nestes empresas tem que ser olhada como uma questão estrutural, qualquer dia não temos trabalhadores motivados e que se fixem nestes empresas", afirma, em declarações à TSF.

José Manuel Oliveira lamenta que a IP tenha fechado a porta à negociação com os trabalhadores.

"Não há qualquer orientação governamental para estas empresas e, por isso, estamos sem interlocutores neste momento."

O dirigente da Fectrans deixa ainda um aviso: caso as reivindicações não sejam atendidas, os trabalhadores
podem decidir avançar para novas formas de luta.

José Manuel Oliveira fala em "falta de vontade negocial e falta de vontade política do Governo para ir ao encontro de questões sérias". Por isso, "podemos admitir, na sequência desta luta, vir a encetar novas lutas, que podem ser greves ou outras ações".

Num comunicado divulgado na terça-feira, a CP adiantou que foram "definidos os serviços mínimos que se podem consultar" no site da empresa e que "aos clientes que já tenham bilhetes adquiridos para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, será permitido o reembolso, no valor total do bilhete adquirido, ou a sua revalidação gratuita para outro comboio da mesma categoria e na mesma classe".

"O reembolso ou revalidação podem ser feitos em myCP na área 'Os seus bilhetes' (para bilhetes adquiridos na bilheteira 'online' e App CP) até aos 30 minutos que antecedem a partida do comboio da estação de origem do cliente, bem como nas bilheteiras e, se reembolso, em cp.pt através do preenchimento do formulário 'online', com o envio da digitalização do original do bilhete e indicação de Nome, Morada postal, IBAN e NIF, até 10 dias após terminada a greve", indica a CP.

Também a Fertagus, que liga Lisboa e Setúbal por comboio, "prevê poder realizar 25% da sua oferta normal de dia útil" hoje, devido à greve na IP, entidade gestora da circulação ferroviária.

Numa nota divulgada no seu 'site', a transportadora - que explora esta linha ferroviária, com passagem pela Ponte 25 de Abril, mediante o pagamento de uma taxa de utilização à IP - disponibiliza os horários previstos para o dia da paralisação, no âmbito da qual "foi decretada a realização de serviços mínimos".

A Fertagus sublinhou que o cumprimento destes horários está dependente dos efeitos da greve e aconselha aos utentes utilizar um transporte alternativo sempre que possível.

A IP alertou, numa informação divulgada no seu 'site', que "poderão verificar-se, ao longo do dia, perturbações na circulação ferroviária".

Os trabalhadores da CP cumprem hoje uma greve de 24 horas, em conjunto com os trabalhadores da IP, reivindicando um prémio financeiro para mitigar os efeitos da inflação e o cumprimento do Acordo de Empresa.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário, afeto à Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, a greve deve-se à "falta de respostas da administração/Governo, que não têm em conta a realidade de uma brutal desvalorização dos salários".

De acordo com uma ata disponível no 'site' da DGERT - Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, os sindicatos e a CP chegaram a acordo para o cumprimento de serviços mínimos de 25%.

* Notícia atualizada às 07h35

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