Os grupos prioritários foram definidos de acordo com os efeitos produzidos pela doença
Covid-19

Prioritários, datas e logística. Conheça todo o plano português de vacinação contra a Covid-19

Doentes cardíacos e profissionais de saúde entre os grupos prioritários na primeira fase de vacinação contra a Covid-19.

Na primeira fase de vacinação contra a Covid-19 em Portugal vão ser vacinadas 950 mil pessoas, com a segunda a ser alargada a 1,8 milhões de pessoas "com mais de 65 anos", exceto as vacinadas na primeira fase. A terceira fase, por fim, deve ser encarada como "o resto da população" e tal pode não acontecer se o ritmo de fornecimento das vacinas for mais lento do que o esperado.

Quem faz parte dos grupos prioritários?

Os grupos prioritários foram definidos de acordo com os efeitos produzidos pela doença, em especial a idade e a existência de comorbidades. Do primeiro grupo prioritário fazem parte pacientes com 50 ou mais anos com pelo menos insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória com necessidade de apoio; residentes em lares, internados em unidades de Cuidados Continuados e respetivos profissionais e profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados e profissionais de serviços essenciais.

Do segundo grupo prioritário, por sua vez, fazem parte pessoas com 65 ou mais anos e quem tenha mais de 50 - até aos 64 -, com patologias pré-existentes.

CONSULTE AQUI O PLANO DE VACINAÇÃO DE COMBATE À COVID-19 EM PORTUGAL

Neste ponto, o primeiro-ministro fez questão de ser claro: os critérios na definição das prioridades na administração da vacina contra a Covid-19 serão transparentes.

"É importante que com toda a transparência sejam definidos os critérios de prioridade na administração da vacina", declarou António Costa no final da sessão de apresentação do Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal, que decorreu no Infarmed, em Lisboa.

Os critérios propostos pela comissão para a vacinação contra a Covid-19, de acordo com António Costa, "são claros".

"Em primeiro lugar, vamos proteger quem nos pode proteger, ou seja, os profissionais de saúde, os trabalhadores dos lares, as Forças Armadas e forças de segurança, aqueles que são fundamentais em todos os serviços essenciais", justificou.

Em segundo lugar estão "as populações mais vulneráveis, seja por fator etário, seja por comorbidades associadas", ambos grupos de risco.

"É um critério claro, transparente e que todos compreendemos. É um fator de confiança para todos os portugueses", defendeu, antes de destacar o papel que terá nesta missão as Forças Armadas, designadamente ao nível do planeamento logístico e de execução da operação.

Segundo o primeiro-ministro, o plano de vacinação apresenta "quatro marcas fundamentais: será universal, facultativo (como é tradição), gratuito, e distribuído a toda a população de acordo com os critérios de prioridade definidos técnica e cientificamente e politicamente também validados".

"Temos boas razões para estar confiantes neste processo", acrescentou.

Vacinação arranca em janeiro

Ainda há muitas incertezas em relação à vacina, mas é certo que a vacinação começará já no próximo mês.

"Em janeiro começará a vacinação dos portugueses. A informação que existe hoje sobre o processo dá-nos a segurança suficiente para dizer que em janeiro vamos começar", garantiu Francisco Ramos, coordenador da task force.

No entanto, para já, ainda não há dia exato. Apenas se sabe que a primeira fase de vacinação pode ir de janeiro a abril, no pior dos casos de abastecimento, e perspetiva-se que, após o primeiro trimestre de 2021, o número de doses de vacinas disponíveis aumente.

Como funcionará o processo de vacinação?

A vacinação será feita nos centros de saúde, em mais de 1200 pontos de vacinação, mas também nos lares e em unidades de Cuidados Continuados. Nestes últimos casos, serão as "próprias equipas de enfermagem" a fazer a vacinação, algo que também acontecerá nos lares com capacidade para tal.

Depois de revelada a velocidade a que as vacinas serão distribuídas na Europa, será "redefinida" a rede de pontos de vacinação. Mas será necessário registar e monitorizar todo o processo eletronicamente, de forma a que se saiba, "em cada momento", quem foi ou não vacinado.

"Temos de saber, em cada momento, quem é que foi vacinado. E temos de ter a certeza que quem toma uma primeira dose, fica imediatamente com a segunda dose marcada e a garantia que é exatamente da mesma vacina. Não é admissível que ocorram falhas", explicou o coordenador da task force.

Deve ser instalado um sistema de "chamada de pessoas", privilegiando a identificação dos doentes de risco pelos centros de saúde. A declaração médica será uma alternativa viável para quem não utilize centros de saúde e vão também ser preparados estudos para avaliar a evolução clínica e a efetividade das vacinas administradas.

A gestão das vacinas será "descentralizada" e, adianta Francisco Ramos, "regionalizada". Prevê-se ainda a existência de um comando central no ministério da Saúde, com o apoio das Forças Armadas, forças de segurança e serviços de inteligência.

Toda a informação sobre a vacinação estará disponível na internet

Os responsáveis pela task force da vacina querem que "toda a informação" sobre a vacinação esteja disponível na internet para quem a procure, complementada por linhas telefónicas "com robustez", uma vez que o plano tem de estar permanentemente disponível". Tudo porque "a confiança é indispensável" para este processo.

"A vacinação é, provavelmente, o maior fator de sucesso no combate à pandemia. A DGS é uma instituição portuguesa com mais de 120 anos de existência", alertou Francisco Ramos.

Também o trabalho direto com as Forças Armadas descansa Francisco Ramos. "Será a melhor garantia que os portugueses têm de que este plano de vacinação vai correr bem", defendeu o líder da task force portuguesa.

As task forces para os Açores e a Madeira também já estão definidas, mas será o Governo do continente a ter de fazer chegar as vacinas às ilhas.

"Há luz ao fundo do túnel", mas o caminho é "ainda muito longo e bastante penoso"

O primeiro-ministro advertiu que o processo de vacinação terá imponderabilidades externas, sendo também complexo ao nível interno, com as dificuldades a aumentarem quanto maior for o universo de cidadãos a vacinar.

"Há agora uma luz ao fundo do túnel, mas o túnel é ainda muito comprido e bastante penoso. Portugal irá adquirir 22 milhões de vacinas, mas essa quantidade de vacinas não chega automaticamente no primeiro dia. Vão chegando escalonadamente e gradualmente ao longo de todo o ano de 2021", declarou o líder do executivo.

António Costa salientou que a operação de vacinação vai desenvolver-se ao longo do ano e não se concentrará num primeiro momento.

"É preciso que os portugueses tenham consciência de que é necessário sempre falar verdade e, para isso, é necessário saber que toda esta operação é sujeita a um conjunto de imponderabilidades bastante significativo. Desde logo a montante de Portugal, porque não depende de nós a produção industrial nem o licenciamento das vacinas, e se houver aí algum atraso teremos de possuir flexibilidade para readaptar o calendário", apontou.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

*com Gonçalo Teles e Sara Beatriz Monteiro

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