Há mais escolas com média negativa nos exames. Veja o ranking
ranking das escolas 2022

Há mais escolas com média negativa nos exames. Veja o ranking

Há 37 escolas públicas entre as 100 melhores classificadas a nível nacional, mas a primeira destas surge apenas no lugar 33.

O número de escolas com média negativa nos exames aumentou de 10 (1,6%) para 27 (4,2%) em 2021. Mas ainda está longe das 120 (20%) que tiveram um resultado abaixo de 9,5 valores em 2019. Desde 2020, recorde-se, as provas só são feitas para acesso ao Ensino Superior e têm um leque de questões opcionais que diminuiu no ano passado. Em termos regionais, seis concelhos registaram média negativa e outros 12 uma classificação acima de 13 valores. Com o processo de descentralização em velocidade cruzeiro, o ministro da Educação avisou os autarcas de que devem "olhar para os resultados" porque há "assimetrias que persistem".

"Pobreza não é fatalismo", frisou João Costa num encontro com a Imprensa sobre os dados do portal Infoescolas. O ministro defendeu que o indicador "Equidade", que avalia o percurso dos alunos abrangidos pela Ação Social Escolar em cada escola e que compara esse resultado com contextos similares permite "avaliar a qualidade do trabalho das escolas". No topo desta tabela está a região do Alto Minho e do Ave que também lideram o ranking elaborado a partir da percentagem de alunos que concluíram o Secundário em três anos, estando também entre as regiões com menos chumbos nos restantes ciclos.

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Os seis concelhos com média negativa foram: Mesão Frio (média de 8,92 valores), Calheta (9,06 valores), Vila do Porto (9,16), Santa Cruz das Flores (9,23), Povoação (9,28) e "Estrangeiro", composto pelas escolas portuguesas no exterior que conseguiram uma média de 9,41 valores.

O ranking feito a partir das notas dos exames continua liderado por colégios privados, com 37 escolas públicas a intrometerem-se entre os 100 primeiros lugares, sendo nove do distrito do Porto, seis de Aveiro e quatro de Viana do Castelo; Braga, Coimbra e Lisboa colocaram três escolas no "topo".

Para o ministro, os resultados regionais confirmam que o "elevador social" está a funcionar. O combate às desigualdades continuará a ser o "foco das políticas educativas", garantiu João Costa, assegurando que as estratégias mais produtivas nas regiões com melhores resultados serão identificadas. "É preciso abandonar discursos bacocos de meritocracia", insistiu, assumindo que os resultados nas regiões do Algarve e Área Metropolitana de Lisboa "são fonte de preocupação".

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Escolas pequenas vs sobrelotadas

Para o presidente do Conselho das Escolas, António Castel-Branco, apesar de indicadores como a "Equidade" retratarem melhor o trabalho das escolas, há realidades incomparáveis e impossíveis de transpor para as estatísticas - por exemplo, aponta, o número de alunos e de professores influencia de forma determinante os resultados. Diretores de escolas que se destacaram nos exames, na percentagem de percursos sem retenções ou na "Equidade" sublinham, de facto, como fundamental para o sucesso terem escolas "de pequena ou média dimensão" que permitem um acompanhamento de proximidade e apoios individualizados. Um contexto distinto de escolas sobrelotadas penalizadas durante o ano com falta de professores, sublinha António Castel-Branco.

O destaque conseguido pelas escolas do Norte Litoral não constitui surpresa para o coordenador do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, por traduzirem uma evolução dos últimos anos, que resulta, considera José Verdasca, da implementação de planos inovadores e de combate ao insucesso, financiados por fundos comunitários, que envolveram não só as escolas, mas as comunidades.

As escolas da região do Alto Minho, que foram afetadas pelo desemprego e pobreza a partir da década de 80 do século XX, "têm vindo a trabalhar precocemente no combate ao abandono e insucesso", sublinha Ariana Cosme, professora da Universidade do Porto. A colaboração com as autarquias e instituições do Ensino Superior foi determinante na "criação de projetos educativos coerentes e distintivos".

Modelo de exames deve manter-se

Tanto o presidente do Conselho das Escolas, como Ariana Cosme, José Verdasca ou a professora da Universidade do Minho Leonor Torres, defendem que o atual modelo de exames, aplicado por causa do impacto da pandemia, e em que os exames contam apenas para acesso ao Ensino Superior, deve manter-se como transitório, até a aprovação de um novo regime de ingresso.

O programa do Governo, recorde-se, coloca em cima da mesa a possibilidade de criar processos separados para a conclusão do Secundário e o acesso ao Superior. E os especialistas concordam que essa revisão é urgente e que o recrutamento deve passar para as mãos das instituições de Ensino Superior, independentemente de haver articulação nas provas de seriação ou critérios nacionais.

"Deve urgentemente repensar-se a metodologia de ingresso no Ensino Superior, desanuviando-se a pressão que atualmente recai no Secundário e um relativo desvirtuamento das suas finalidades educativas. Trata-se de um ciclo de ensino atualmente obrigatório que não pode prescindir da formação integral do estudante, em detrimento da excessiva valorização da dimensão cognitiva e reprodutiva dos conhecimentos requeridas pelos exames", defende Leonor Torres.

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