Há mais resíduos perigosos no Parque das Nações

Matérias perigosas estão presentes nos solos de obras que estão a decorrer.

Foi detetada a presença de resíduos perigosos nos solos das obras que estão a decorrer no Parque das Nações, onde vai ser construído um hotel, uma escola e vários edifícios. A denúncia surge depois de um estudo realizado por Miguel Amorim, um investigador que mora na Expo, levantar dúvidas sobre as avaliações iniciais que constam dos alvarás, até porque as autoridades competentes já receberam outras denúncias.

O investigador considera que a avaliação inicial dos solos pode não estar correta, uma vez que os valores que encontrou ficam acima dos patamares que classificam os resíduos como perigosos. De acordo com a análise, a que o Público teve acesso, as percentagens de resíduos considerados perigosos presente nos alvarás das obras são baixas, mas o engenheiro civil desconfia dessas avaliações presentes nos alvarás.

A situação já foi denunciada pelo investigador às autoridades competentes, que alegam que antes do início das obras foram feitas avaliações e é isso que tomam como certo. Miguel Amorim conta ao mesmo jornal que decidiu fazer o estudo por conta própria por ser morador e por estar preocupado com a saúde de quem vive na zona e trabalha nas construções, mas não é o primeiro a levantar dúvidas.

Há cerca de um ano, a associação ambientalista Zero denunciou a existência de uma nova mancha de contaminação e a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território enviou mais denúncias para a entidade Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. No entanto, esta entidade responsável admite ainda não ter feito fiscalizações no local.

"O cheiro é muito intenso"

A associação de moradores do Parque das Nações confirma que tem recebido denúncias de mau cheiro. Carlos Ardisson, membro da direção da associação, explica que é um problema que se arrasta há mais de três anos e ainda não foi resolvido, apesar das promessas das autoridades e das queixas que continuam a chegar.

"Ainda há pouco tempo recebemos o contacto de uma moradora na área sul, junto a um dos poucos terrenos que ainda estão disponíveis, e o cheiro é muito intenso. O problema existe, infelizmente muitas das promessas que foram feitas de alterações legais continuam por cumprir três anos e tal depois", explicou à TSF Carlos Ardisson.

O membro da direção da associação de moradores "A Cidade Imaginada" garante que as autoridades já foram avisadas várias vezes.

"Estaremos sempre ao lado dos moradores a alertar as autoridades para este problema. O que me parece é que as autoridades preferem empurrar com a barriga até que isto deixe de ser um problema por si próprio", garantiu o membro da associação de moradores do Parque das Nações.

Carlos Ardisson teme que a contaminação dos solos chegue às águas do rio Tejo.

"Os nossos edifícios têm todos sistemas de bombagem, as águas são conduzidas para o sistema de drenagem de águas fluviais e conduzidas para o rio. Temos muitas dúvidas de que essas águas, nas zonas desses empreendimentos, não estão a ser contaminadas e atiradas para o rio Tejo. Há uns anos também alertámos para umas manchas que encontrámos ali junto à marina e, infelizmente, a brigada antipoluição da GNR só teve disponibilidade para vir cá 12 dias depois. Disseram que já não se verificava nada", acrescentou Carlos Ardisson.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de