"Há que pôr um travão." Sindicatos da UGT e Governo reúnem-se sobre despedimentos na banca

Na TSF, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, questiona-se sobre "o que aconteceu na banca, que até teve resultados positivos, para virem dois grandes bancos nacionais, em conjunto, apresentar despedimentos coletivos".

Os sindicatos dos bancários da UGT -- Mais Sindicato, SBN e SBC -- reúnem-se esta sexta-feira com o Governo para discutir os despedimentos coletivos em curso no Santander Totta e Millennium BCP, informou a central sindical.

A reunião está agendada para as 15h00, na sede do Ministério do Trabalho, em Lisboa, com a presença dos ministros da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e do secretário-geral da UGT, Carlos Silva, entre outros representantes sindicais, de acordo com um comunicado divulgado pela central na quinta-feira.

Em declarações à TSF, Carlos Silva, secretário-geral da UGT, afirma que não podem aceitar, depois dos sacrifícios dos trabalhadores em tempos que pandemia, que ajudaram nos lucros da banca, que agora os queiram dispensar.

"Estamos a atingir um limite de paciência e acima de tudo de dignidade", afirma.

"Não faz qualquer sentido, depois de milhares de trabalhadores estarem em teletrabalho, de se terem sacrificado perdendo a terça parte do seu vencimento, estiveram em lay-off mais de um milhão de trabalhadores ao longo do ano", refere, questionando: "O que é que aconteceu à banca, que até teve resultados positivos para virem dois grandes bancos nacionais, em conjunto, apresentar despedimentos coletivos porque não conseguiram obter o necessário número de trabalhadores que na sua reestruturação estava pensado?"

"Há que por um travão a isto", sublinha.

Carlos Silva pede ao Governo que mude a lei sobre despedimentos, reforçando que "há efetivamente um conjunto de matérias muito cirúrgicas que têm de ser analisadas e alteradas eventualmente num futuro imediato", como as indemnizações por despedimento.

"As indemnizações estão neste momento nos 11 dias pagos por cada ano de serviço, se estivessem cada empresa tivesse de pagar um mês por cada ano de serviço, certamente faziam melhor as contas. O problema aqui é que há realmente alguma flexibilidade na matéria das indemnizações por despedimento que leva muitas empresas a aproveitar a boleia", admite.

A UGT não aceita o argumento sobre a digitalização para fazer despedimentos. "Estes bancos, além de estarem a fazer estes despedimentos coletivos, estão a contratar via outsourcing, recrutando gente mais jovem, com salários baixos, para fazerem trabalho bancário. Se estão a recrutar é porque necessitam de trabalhadores", diz Carlos Silva, explicando que estão "a embaratecer os custos dos trabalhadores dentro destes bancos".

A reunião, segundo a UGT, surge no âmbito dos processos de despedimento coletivo nos bancos Santander Totta e Millennium BCP, com os quais "foram confrontados os sindicatos dos bancários da UGT, após longos processos negociais, na tentativa de consensualizar soluções que garantam aos trabalhadores as melhores condições para o seu futuro".

O objetivo do encontro, precisou a UGT no comunicado, é o de o Governo adotar medidas de defesa dos trabalhadores e evitar que as empresas possam recorrer ao despedimento coletivo "para atingirem objetivos económicos dos acionistas, aproveitando o momento de pandemia, onde seria exigível uma responsabilidade social que proteja os mais frágeis e vulneráveis" na relação de trabalho.

O Santander não chegou a acordo para a saída de 350 trabalhadores, de um total de 685 inicialmente previstos, e vai agora avançar com um "processo unilateral e formal" a partir de setembro, segundo uma nota interna da Comissão Executiva do banco, enviada em 20 de agosto, a que a Lusa teve acesso.

Já o BCP vai avançar para rescisões unilaterais com menos de 100 trabalhadores, depois de ter chegado a acordo com 80% dos colaboradores abrangidos no processo de reestruturação, anunciou em 27 de agosto o presidente executivo, Miguel Maya.

Em 13 de julho, os sete sindicatos do setor bancário promoveram uma manifestação em frente à Assembleia da República, contra os despedimentos.

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