Há uma fadiga pandémica noticiosa? Notícias também reagiram tarde à segunda e terceira vagas

Número de notícias sobre a covid-19 na primeira vaga foi três vezes maior do que na terceira.

Não foram apenas os portugueses e os políticos que acordaram tarde para a segunda e terceira vagas da pandemia em Portugal: o mesmo se passou com as notícias.

A conclusão é de um estudo feito por três universidades (Minho, Coimbra e Católica) e um centro de investigação (CINTESIS).

Os resultados apontam para que o alívio das notícias sobre a pandemia antes da segunda vaga e a cobertura noticiosa mais tardia da terceira podem ajudar a explicar a menor adesão dos portugueses.

"Não tivemos uma pró atividade das redações na segunda e na terceira vagas, também porque os próprios atores que foram sendo alvo de notícias e promovendo a agenda mediática promoveram uma outra tematização que foi introduzida nos alinhamentos jornalísticos dos diversos meios de comunicação social", explica Felisbela Lopes, investigadora da Universidade do Minho e coordenadora do trabalho.

Recusando a ideia de uma falha apenas dos jornalistas ou dos políticos que ajudam a fazer a agenda, a investigadora fala numa "falha conjunta, também dos cidadãos que se revelaram cansados e que verbalizaram uma fadiga pandémica antes do tempo, quando o perigo ainda estava e está entre nós".

O estudo revela que o jornalismo aliviou a pressão noticiosa na segunda vaga e demorou a arrancar com a mesma força com que o fez em março de 2020, quando o quadro epidemiológico começou a agravar-se em janeiro de 2021.

O número de notícias sobre a covid-19 publicadas na primeira vaga foi três vezes maior do que na terceira vaga, num período equivalente.

Felisbela Lopes admite alguma "fadiga pandémica noticiosa" porque "se convencionou a ideia de que os media têm promovido uma agenda noticiosa monotemática, mas isso não é verdade porque temos de facto uma pandemia que afeta todos os campos sociais levando os media a falarem também do trabalho, da educação, dos apoios sociais, da crise económica, dos problemas da terceira idade ou dos jovens..."

"A diversidade dentro do tema genérico pandemia é grande e se se abateu sobre a sociedade esta tragédia com certeza que não podemos fazer de conta que não existe pois não são outras coisas que nos estão constantemente a afetar", ao contrário do que acontece com a covid-19, conclui a investigadora especialista em comunicação.

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