Higienização das mãos está a aumentar secura e eczemas da pele

Já não são apenas os profissionais de saúde a sofrer do problema decorrente da desinfeção frequente das mãos. A Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia deixa, no entanto, conselhos para manter a higienização sem comprometer a saúde da pele.

A Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia tem registado um aumento de doenças da pele devido à lavagem das mãos. Desde o início da pandemia, há mais casos de pessoas com queixas de pele seca. Já não são apenas os profissionais de saúde a sofrer do problema, conforme constata o dermatologista João Maia Silva.

João Maia Silva explica que a lavagem das mãos, repetida muitas vezes, elimina vírus e bactérias, mas também acaba por "remover essa camada superficial de gordura que funciona como barreira".

Desta forma, esclarece o clínico à TSF, "a água que está dentro do nosso corpo facilmente evapora, e, ao evaporar, nós vamos secar a pele", e a secura funciona como um estímulo à resposta inflamatória, razão pela qual "surgem os eczemas".

"A pele fica seca, fica pregueada, ligeiramente descamativa, e, por vezes, em fases mais avançadas, fica vermelha e com comichão", relata João Maia Silva. Por isso, o dermatologista não tem dúvidas: "Este comportamento que agora temos de interiorizar e integrar no nosso dia-a-dia está a levar ao aparecimento destas lesões."

Mas há cuidados a ter para evitar a secura excessiva da pele. A solução não é lavar menos as mãos e aumentar o risco de contaminação, mas "continuar a ter os comportamentos recomendados pela Direção-geral da Saúde: continuar a lavar e desinfetar como manda a regra" e "ter muito cuidado no pós-lavagem no sentido de compensar o que retirei - essa gordura - aplicando um creme hidratante durante o dia, que evita a evaporação da água".

Lavar e hidratar são as recomendações, mas o dermatologista assinala que também com os tipos de sabão utilizados deve haver um cuidado de seleção. "Se eu usar produtos que façam muita espuma ou que tenham muito sabão ou um pH muito alcalino, como o sabão azul e branco, estou a agredir mais."

João Maia Silva aconselha a usar produtos sem sabão, "que normalmente são os recomendados para dar banho às crianças e aos bebés", por isso "não são nada agressivos, não retiram tanto à camada de gordura de pele, mas também desinfetam menos - há um compromisso".

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