Hospitais vão deixar de atender apenas casos urgentes. Consultas e cirurgias vão ser retomadas

O pico da pandemia em Portugal foi entre os dias 23 e 25 de março.

A ministra da Saúde defende que está na altura de suspender a lógica de só atender casos urgentes nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e de retomar as consultas e cirurgias programadas.

Na conferência de imprensa diária do Ministério da Saúde e da Direção-Geral da Saúde (DGS), Marta Temido anunciou que, nos próximos dias, será feito um reagendamento das atividades programadas que não se realizaram, devido à pandemia de Covid-19.

A Governante lembrou ainda a necessidade de continuar boas práticas adquiridas durante este período de emergência, como a assistência não presencial em casos de receituário, o atendimento por telesaúde e o encaminhamento dos casos de pulseiras verdes, azuis e brancas das urgências para os cuidados de saúde primários.

A ministra refere que o Governo está a tomar "todos os cuidados e medidas para que não haja qualquer risco para os doentes sem a Covid-19", e assegura que estes doentes não devem ter receio de utilizar o SNS.

Ainda de acordo com Marta Temido, o risco de transmissibilidade da doença é agora de 0,91 - ou seja, cada caso confirmado gerou, em média menos, de um contágio.

Marta Temido adianta também que a taxa de letalidade da Covid-19 em Portugal encontra-se em 3,5% e a taxa de letalidade das pessoas com mais de 70 anos em 12,5%.

Quanto aos doentes infetados, há 87% que estão a recuperar da doença no domicilío, 5,1% estão internados em hospitais e 1,2% em unidades de cuidados intensivos.

Estes números fazem com que as autoridades de saúde concluam o máximo da incidência da Covid-19 em Portugal tenha acontecido entre os dias 23 e 25 de março.

"Atividade normal" no SNS retomada na próxima semana

A ministra da Saúde manifesta a expectativa de que, na próxima semana, já existam condições para começar a retomar, progressivamente, a atividade normal nos hospitais do SNS.

A retoma das atividades programadas irá começar pelos casos prioritários que tiveram de ser suspensos devido à pandemia de Covid-19.

Marta temido salvaguarda que há ainda muito trabalho logístico que necessita de ser desenvolvido e que passa pelo reforço dos equipamentos de proteção para todos os profissionais de saúde, pela higienização dos espaços e pela separação dos utentes em salas de espera, por exemplo. "São aspetos absolutamente fundamentais", sublinhou.

A ministra da saúde afirma ainda que a situação do lar de idosos em Alverca, com pelo menos 58 infetados, está a ser acompanhada.

Marta Temido lembrou que o Executivo irá testar todos os funcionários que trabalham em lares de idosos (prioridade foi dada à região Norte, aquela que apresenta mais contágios e mais mortes por Covid-19).

A governante refere que se trata de um universo muito grande (cerca de 60 mil profissionais que trabalham junto de quase 100 mil idosos em lares por todo o país), mas espera que estes testes estejam concluídos até ao final do mês de maio.

Média de idades das vítimas da Covid-19 é de 81,4 anos

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, esclarece que todas as pessoas infetadas com Covid-19 que morrem estão a entrar para a contabilização da taxa de letalidade, independentemente da causa da morte se prender com outra patologia.

"Alguém que esteja muito mal e que venha a falecer, se estiver infetada por Covid-19, é contada como mortalidade por Covid", explicou Graça Freitas.

A diretora-geral adianta ainda que a média de idades das vítimas mortais de Covid-19 no país é de 81,4 anos (a mais nova tinha 40 anos e a mais velha 102 anos).

A maior parte dos óbitos por Covid-19 acontecem em contexto hospitalar (84%) e cerca de 40% das vítimas mortais sofriam já de outras patologias.

Quanto aos testes serológicos, Graça Freitas afirma que a Direção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge estão a ser muito cautelosos quanto à fiabilidade dos testes disponibilizados no mercado.

Os testes, que pretendem revelar se uma pessoa está imune ao novo coronavírus, estão a ser comercializados por várias empresas e clínicas privadas.

No entanto, a diretora-geral da Saúde lembra que "além das fases da imunidade, é preciso ter confiança na qualidade do teste e ter a certeza de que ele está a medir exatamente aquilo que queremos que seja medido".

A DGS afirma, por isso, que está alinhada com as preocupações manifestadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação a estes testes - motivo pelo qual o Instituto Ricardo Jorge está, nesta altura, a programar uma experiência-piloto para verificar a eficácia destes testes.

"Creches têm de auto-organizar-se para retomarem atividade"

A ministra da Saúde, Marta Temido, defende que as creches têm de organizar-se internamente de modo a poderem retomar a atividade normal já no próximo mês.

A governante lembra que há exemplos de países "em que as creches se mantiveram em funcionamento" durante todo período da pandemia de Covid-19 e insiste que há que "tentar difundir as boas práticas encetadas nesses países".

Marta Temido lembra que todos os setores da sociedade têm de estar atentos e empenhados para que a reabertura destas instituições se faça tranquilamente e destacou a importância do papel desempenhado pelos responsáveis técnicos, em cada caso.

"Precisamos de trabalhar em rede, com uma grande coordenação. Sem essa partilha de responsabilidade, não há sucesso para nenhuma das partes", resumiu.

Portugal regista, este sábado, 687 mortes pelo novo coronavírus, um aumento de 30 vítimas mortais nas últimas 24 horas. O boletim epidemiológico da DGS indica ainda 663 novos casos de infeção, elevando para 19685 o número total de doentes no país.

Até ao momento, 610 pessoas contagiadas conseguiram recuperar da doença, mais 91 relativamente ao último balanço.

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