Hospital de Santa Maria retoma cirurgias a doentes prioritários

Sem filas à porta, um dos maiores hospitais portugueses retomou as operações adiadas devido à pandemia de Covid-19.

Daniel Ferro, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), espera que o número de doentes internados no maior hospital português, em Lisboa, comece a diminuir daqui a duas semanas. Por enquanto, a ocupação nos cuidados intensivos mantém-se no limite.

"Estão ativadas 69, praticamente a totalidade das camas previstas, com cerca de 64 ocupadas. Vamos ver se a evolução dos próximos dias nos permite também começar um plano de regressão como já estamos a fazer nas enfermarias", explicou à TSF Daniel Ferro.

Nesta altura há 15 enfermarias dedicadas apenas a doentes Covid. Duas voltam ainda durante esta semana a servir pessoas com outras doentes e, nesta altura, já estão a ser feitas operações que tinham sido adiadas durante o pico da pandemia.

"Esta semana já estamos a operar doentes com situações clínicas prioritárias. Eram situações que podiam ser ligeiramente adiadas e foram, durante um curto espaço de tempo, mas já estão a ser recuperadas nesta altura. São dois sinais claros. Do lado da urgência estamos, neste momento, com cerca de 400 doentes atendidos numa semana e estamos a operar cerca de 30 doentes com situações clínicas prioritárias", revelou o presidente do conselho de administração do Hospital de Santa Maria.

Daniel Ferro garante que nenhum doente em estado grave ficou por tratar no Hospital de Santa Maria, mas admite que os profissionais de saúde não aguentariam mais tempo se o número de casos continuasse a aumentar.

"A diferença foi não ter o ideal mas ter o possível e o possível foi suficiente num quadro de uma pressão extrema e, portanto, absolutamente no limite. Não era possível, a estas equipas, terem permanecido por muito mais tempo com esta pressão", afirmou Daniel Ferro.

O Santa Maria tem 6500 profissionais, entre os quais 1500 são médicos e 2100 enfermeiros. Daniel Ferro defende um Serviço Nacional de Saúde (SNS) com mais pessoal depois desta pandemia e com outra organização.

"Não há planos de contingência que resistam a situações desta dimensão e, portanto, o que temos de ter a partir de agora é a noção de que a instituição poderá ter de se transformar completamente para situações extremas e excecionais que aconteçam. Isso implica que, efetivamente, possamos ter uma contingência melhor preparada e com melhor adaptação de estruturas para aquilo que possa vir a acontecer", acrescentou o presidente do conselho de administração do Hospital de Santa Maria.

Por enquanto, a estratégia deve ser proteger os grupos de risco. No Hospital de Santa Maria, praticamente todos os profissionais de saúde já foram vacinados.

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