Hospital de Setúbal. "Melhor forma de atrair recursos humanos é conquistá-los para projetos de trabalho"

A ministra da Saúde, Marta Temido, sublinha que, apesar de o Hospital de Setúbal ser "um hospital com carências persistentes", têm sido feitos investimentos e contratados profissionais ao longo dos últimos anos.

Criticada pela falta de recursos humanos e de investimentos, a ministra da Saúde defendeu, esta quarta-feira, que não é possível atrair médicos para um hospital que está sempre em conflito, referindo-se especificamente ao Hospital de Setúbal.

"Uma intranquilidade sobre o funcionamento de uma instituição é o pior cartão de visita para atrair e reter novos profissionais de saúde", afirmou Marta Temido na comissão parlamentar de saúde pedida pelo PCP com o objetivo de prestar esclarecimentos sobre as dificuldades que estão a ser vividas no Hospital de Setúbal.

A ministra explica que, "compreendendo as dificuldades com que os profissionais e as equipas se confrontam", é também preciso "ter a perceção de que a melhor forma de atrair recursos humanos é também conquistá-los para projetos de trabalho".

Ainda assim, a ministra da Saúde sublinhou que, ao longo dos últimos anos, têm sido feitos investimentos e contratados profissionais. Marta Temido fala num total de 401 profissionais de saúde no centro hospitalar de Setúbal, entre os quais 37 médicos e 155 enfermeiros.

"Apesar deste reforço que tem sido feito, sabemos que este é um hospital com carências persistentes nalgumas áreas de especialidade", acrescentou.

Marta Temido anunciou que o Ministério da Saúde está a trabalhar na possível reclassificação deste centro hospitalar, o que traria mais financiamento para a unidade. No entanto, admitiu que o processo depende de "um conjunto de aspetos técnicos" e de critérios que estão predefinidos.

De acordo com a ministra, o investimento nos próximos dois anos nesta unidade hospitalar vai atingir os sete milhões de euros, o que inclui a construção do novo serviço de urgência.

A 6 de outubro, demitiram-se um total de 87 diretores de serviço do Hospital de Setúbal. Os médicos apresentaram a demissão em solidariedade com o diretor clínico daquela unidade hospitalar, Nuno Fachada.

"Os médicos que têm funções de direção no hospital a vários níveis resolveram todos solidarizarem-se com o diretor clínico e a apresentaram a sua demissão e hoje divulgaram essa posição. Só três é que não assinaram essa declaração", explicou, na altura, Miguel Guimarães à TSF.

Na sequência desta demissão em bloco, o bastonário da Ordem dos Médicos pediu uma ação urgente ao Governo. "É uma complicada, que exige por parte do Ministério da Saúde uma resposta rápida. O que disse, no fim da reunião, foi que o próprio Ministério da Saúde fosse ao terreno ouvir as pessoas", disse Miguel Guimarães.

Depois destas demissões, o PCP insistiu em ouvir no parlamento a ministra da Saúde e a administração do hospital.

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