Hospital de Vila Franca de Xira perdeu dez médicos desde que Estado assumiu gestão

Hospital está a "perder capacidades" e o trabalho extraordinário deixou de poder ser pago aos médicos da casa "como um suplemento".

A Ordem dos Médicos (OM) alerta que o Hospital de Vila Franca de Xira, que deixou de ter gestão privada há cinco meses, já começou a sentir problemas. Alexandre Valentim Lourenço, da secção Sul da OM, esteve esta manhã no hospital, que passou a ser administrado por gestores nomeados pelo Estado no final de maio, e garante que a mudança não foi boa.

Já saíram dez médicos, há trabalho a acumular-se e crescem, entre os profissionais, sinais de descontentamento. A gestão pública, assinala Alexandre Valentim Lourenço, fez com que o hospital "que estava nos rankings de avaliação como um dos melhores, esteja a perder capacidades".

Alguns dos especialistas "têm saído diretamente para ofertas de outros hospitais ou hospitais privados" e há especialidades que, embora não tenham grande presença na medicina privada, "têm perdido médicos para outros hospitais públicos porque o trabalho [em Vila Franca] é muito".

Há áreas, explica o representante dos médicos, em que "70% do serviço de urgência é feito por empresas externas, que pagam três ou quatro vezes mais aquilo que os médicos recebem nas horas extraordinárias", algo que há seis meses podia ser pago "como um suplemento aos médicos da casa e agora deixou de poder ser".

O Hospital de Vila Franca de Xira era gerido pelo Grupo José de Mello Saúde, mas o Governo decidiu não renovar a gestão privada deste hospital público, assumindo esse trabalho no final de maio passado.

O Tribunal de contas referiu que, em quatro anos, esta parceria público-privada permitiu poupar 30 milhões de euros ao Estado. Já o grupo técnico que avaliou a parceria desaconselhou a renovação do contrato por mais 10 anos, embora tenha dado nota positiva à gestão privada do hospital.

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