Idosos nos lares perdem mobilidade com meses e meses de pandemia

Fisioterapeutas já notam os efeitos de tanto tempo de medidas para travar a Covid-19 nos lares.

Os efeitos da pandemia e das limitações à atividade dos lares, incluindo saídas e visitas, já se sentem na mobilidade de muitos idosos. O alerta é da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas, que conclui que um quinto destas estruturas residenciais para os mais velhos continuam a não aceitar a presença de fisioterapeutas,

Há idosos que há cerca de sete meses não têm sessões de fisioterapia para recuperar ou manter a sua mobilidade, admite o presidente da associação.

Adérito Seixas explica que contactaram os sócios e a maioria dos fisioterapeutas já voltou aos lares depois da proibição nos primeiros meses da pandemia. No entanto, independentemente de terem ou não já visitas, o representante dos fisioterapeutas adianta que, de uma forma geral, já notam consequências evidentes.

Tristeza e perda de qualidade de vida

"Aquilo que temos visto é que a mobilidade tem vindo a reduzir-se significativamente por todas as imposições que se têm verificado. A partir do momento em que se limitam visitas, saídas, etc., podemos pensar que há realmente uma redução da mobilidade e funcionalidade com forte impacto nestas pessoas, algo que os profissionais notam e têm relatado", mesmo naquelas pessoas que fazem fisioterapia.

Os idosos, diz Adérito Seixas, andam mais tristes, menos motivados, mais ansiosos, com mais problemas de saúde mental e com medo daquilo que se passa à sua volta.

A mobilidade, que já não costuma ser muita em grande parte dos que vivem em lares, está a diminuir ainda mais depressa pelo prolongar de uma pandemia que já dura há quase oito meses, com forte impacto na sua qualidade de vida.

"Temos colegas que relatam um aumento do número de quedas nos lares, com consequências que se sabe que são graves, não apenas pela eventual morte mas também pela perda de mobilidade ou o acamar destes idosos", explica o presidente da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas.

Adérito Seixas acrescenta que notam estes problemas inclusive "nas instituições que têm um fisioterapeuta a trabalhar": "mesmo aí, as pessoas estão menos motivadas a participar nas sessões, pelo que tem sido um desafio".

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