Idosos recebem "afetos por telefone"
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Idosos recebem "afetos por telefone"

Para fazer companhia aos idosos que vivem os dias sozinhos em casa, o serviço educativo do Museu Municipal de Espinho e a Biblioteca José Marmelo e Silva juntaram-se no projeto "Afetos por telefone".

O objetivo é ler uma história ou um poema, ou simplesmente conversar e ouvir quem está do outro lado da linha. Os idosos são ainda desafiados a partilhar uma história da infância.

Sandra Vieira, da Biblioteca Municipal de Espinho, é quem conversa com os idosos que, por iniciativa própria ou com a ajuda de familiares, se inscrevem nos "Afetos por telefone".

"São pessoas que se sentem sozinhas, algumas têm a companhia do marido, mas outras são viúvas e aquele momento é de desabafo. Dos contactos que já tive é mesmo um desabafo, é conversar com alguém que, apesar de não se conhecer, tem a necessidade de falar."

A ideia partiu de um convite da divisão de Ação Social da Câmara Municipal de Espinho, no âmbito de um projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Rita Ferreira, do serviço educativo do Museu Municipal de Espinho, explica que procuram sempre ir ao encontro dos gostos de quem telefona. "No primeiro contacto entre o idoso e a equipa, há um breve questionário para perceber os gostos deles e o que esperam de nós. Em função disso, escolhemos a história que vá ao encontro dos interesses da pessoa. A ideia é contactar regularmente a mesma pessoa e vai-se criando uma relação de proximidade que permite criar vínculos."

Sandra Vieira ligou à D. Rosa, que vive com o marido e a mãe, que tem cem anos. "Estava isolada em casa já antes da pandemia, porque tem um problema de saúde a nível pulmonar. Ela gosta muito de ler e de ouvir histórias e assim tem contacto connosco." Assim que o telefone toca, há uma breve conversa para perceber como se sente e qual o estado de espírito.

A história escolhida é: "O Pássaro da Alma". No final da leitura, a D. Rosa destacou a "história de fé, coragem e esperança para lutar e não desanimar. Uma história muito linda". Deixou ainda elogios ao projeto: "É um projeto muito humano e transmite carinho e atenção a quem está sozinho."

E esse é o principal objetivo dos Afetos por Telefone, nenhuma chamada tem o tempo contado. "Depende da vontade dos idosos, tem a conversa inicial onde perguntamos como se está a sentir. Depois conto a história, no final, o idoso, se quiser, conta também uma história da sua infância. Deixamos que a pessoa tenha tempo para desabafar e se sinta bem, sinta-se melhor do que estava antes do nosso contacto", explica Sandra Vieira. Que acrescenta que este "é um projeto inovador, porque o idoso também conta uma história e, mais tarde, assim que possível, vamos promover um contacto presencial entre todos os que participaram."

Rita Ferreira, do serviço educativo do Museu Municipal de Espinho, sublinha que esta linha não se limita ao concelho. "Está aberto a toda a comunidade sénior de Portugal, com mais de 65 anos."

Este projeto destina-se a quem tem mais de 65 anos. No final de cada telefonema, habitualmente, fica marcado novo encontro para a semana seguinte. Para isso, só precisa de fazer uma inscrição nos dias úteis das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 16h00, para o número: 927 960 248, ou pela página do Facebook da Biblioteca ou do Serviço Educativo do Museu Municipal.

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