Imagens agressivas já não chocam fumadores, mas ainda há quem troque embalagens

Há cinco anos que os maços de tabaco começaram a ser vendidos com imagens agressivas, mas nas tabacarias do Alentejo os fumadores já pouco olham para as imagens. Ainda assim, há quem, por vezes, opte por trocar embalagens, sobretudo, perante pulmões ou línguas com tumores malignos

A queda da venda de cigarros na cafetaria Bem-estar coincidiu com a chegada ao mercado das imagens chocantes e textos de alerta a ilustrarem os maços de tabaco.

"Quando apareceram essas imagens, talvez o consumo de tabaco tivesse baixado um bocadinho, mas gradualmente tem vindo a subir", atesta Amílcar Velez, proprietário do estabelecimento na rua principal de São Romão (Vila Viçosa). Admite que o confinamento em tempos de pandemia ajuda a explicar o aumento do número de fumadores, que aos dias de hoje "pouco ou nada ligam às imagens" impressas nas embalagens.

"Eu acho que as pessoas já nem olham para a imagem. Abrem o maço de tabaco, tiram um cigarro e fumam", refere, enquanto João Paulo Ortiz, do café Cidade Nova, em Elvas, confirma a tendência.

Nesta que é uma das principais tabacarias da região os fumadores lá se foram adaptando aos rótulos. "Ao princípio notámos algum impacto na venda do tabaco. Apareceram alguns subprodutos, como capas para tapar as imagens, mas nesta altura pouco se nota", acrescenta.

Contudo, cinco anos depois da nova rotulagem chegar ao mercado, ainda há por aqui alguns clientes que se mantêm indiferentes ao aviso de que "fumar mata" impresso na embalagens, embora prefiram os maços com as imagems mais discretas.

"Nós até já conhecemos os clientes que nos pedem para trocar algumas imagens mais chocantes por outras menos agressivas", revela João Paulo Ortiz. Entre as imagens que causam menos impacto o empresário coloca a "criança com a chupeta a deitar fumo e o homem morto". Mas outras ilustrações na biblioteca de imagens que nem todos querem ter no bolso, como é o caso de pulmões e línguas com tumores malignos, pessoas amputadas ou em camas de hospitais.

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