"Inconformada e persistente." Quem foi Maria de Sousa, a imunologista que morreu vítima da Covid-19?

A investigadora tinha 81 anos e ficou conhecida pelo estudo da migração organizada dos linfócitos.

A imunologista Maria de Sousa morreu esta terça-feira, vítima da Covid-19, confirmou a TSF. A professora emérita da Universidade do Porto morreu esta noite no Hospital de São José, em Lisboa, depois de uma semana internada naquela instituição.

A investigadora tinha 81 anos e ficou conhecida pelo estudo da migração organizada dos linfócitos.

Maria de Sousa nasceu em Lisboa e formou-se em medicina em 1963. Considerada uma referência na área da imunologia, saiu de Portugal um ano depois de se ter formado e seguiu para Londres como bolseira da fundação Calouste Gulbenkian.

Foi na capital britânica que fez a descoberta que lhe permitiu ficar na História da imunologia até à descoberta dela acreditava-se que todos os linfócitos -que são células do sistema imunitário - vinham do timo, uma glândula situada no peit Maria de Sousa percebeu que não era apenas isso afinal nos órgãos linfáticos periféricos havia linfócitos do timo mas também de outro tipo. À descoberta, publicada em duas revistas da especialidade, chamou ecotaxis.

Depois de Londres, Maria de Sousa foi para a Escócia e foi na Universidade de Glasgow que se doutorou em imunologia em 1972.

Três anos depois, partia rumo aos Estados Unidos e, em 1984, regressou a Portugal e tornou-se professora catedrática de imunologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto.

Liderou então a criação do programa graduado em biologia básica e aplicada, o primeiro programa de doutoramento do país.

Apesar da carreira académica, confessou um dia que não gostava de ensinar e nunca se considerou uma professora, a imunologista preferia a investigação.

Nos anos 90 contribuiu para que se avançasse com a avaliação externa e independente dos centros de investigação portugueses

Em 2009, deu a última aula no salão nobre do edifício histórico da reitoria da Universidade do Porto e foi-lhe atribuído o título de professora emérita.

Em 2011, recebeu o Prémio Universidade de Coimbra, um galardão atribuído a personalidades que se tenham destacado por uma intervenção particularmente relevante e inovadora nas áreas da cultura ou da ciência.

Em 2017, recebeu o prémio universidade de Lisboa. Na altura, o júri sublinhou que foi uma das primeiras mulheres portugueses distinguidas internacionalmente, pelas descobertas que fez, tendo recebido também a grã-cruz da ordem militar de Santiago de Espada.

Marcelo lamenta a morte da investigadora "inconformada e persistente"

O Presidente da República "lamenta profundamente a morte da Professora Maria de Sousa", descrevendo-a, numa nota publicada no site da presidência da república como uma "figura ímpar da ciência portuguesa e investigadora de prestígio internacional na imunologia".

"Além da notável carreira académica e científica, desenvolvida primeiro no Reino Unido e nos E.U.A. e depois em Portugal, Maria de Sousa foi também um exemplo de cidadania.", pode ler-se na nota.

Marcelo Rebelo de Sousa lembra que, na ciência, o trabalho da investigadora "foi fundamental no desenvolvimento de várias instituições de referência em Portugal, bem como em todos os passos importantes na consolidação do sistema científico português ao longo das últimas três décadas".

O chefe de Estado sublinha que Maria de Sousa "era uma mulher inconformada e persistente, procurando sempre transmitir um sentido de exigência a todos que, tal como o Presidente da República, tiveram o privilégio de com ela privar".

"Era também alguém que tinha uma visão ampla do mundo, que não se confinava à academia, mas que abraçava com entusiasmo a relação entre conhecimento e sociedade, ciência e arte", continua.

Marcelo Rebelo de Sousa termina a nota dizendo que Maria de Sousa "deixa um legado incontornável na ciência e um exemplo maior de rigor, de exigência e de compromisso cívico e cultural".

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